Virada sedutora
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quinta-feira, 30 de janeiro de 2003
Rodrigo Teixeira<br> TV Press 
Tuca Andrada sente amor e ódio por seus personagens. Em ''Sabor da Paixão'', o ator pernambucano afirma que não é diferente. Tuca confessa que já se sentiu desmotivado na pele do interesseiro José Carlos, mas agora voltou a ''fazer as pazes'' com o cúmplice das armações de Zenilda, personagem vivida por Arlete Salles. Isto porque o mulherengo José Carlos vai começar a se rebelar contra a patroa e amante na trama de Ana Maria Moretzsohn. Ou seja, chegou o momento do personagem crescer na novela das seis da Globo. ''Agora estou na fase do gostar, pois o José Carlos passou por uma barriga e não acontecia nada na novela com ele. Mas sempre fui assim, me apaixono e brigo com meus personagens'', ressalta Tuca Andrada.
Com 11 novelas no currículo, o ator também afirma que já tem uma maneira de perceber quando seu personagem está com popularidade ou não. Tuca só tem certeza que está fazendo bem determinado papel quando as faxineiras, seguranças e técnicos que trabalham nos estúdios da Globo vêm elogiar sua interpretação. O ator garante que só agora está acontecendo isto com ele em ''Sabor da Paixão''. ''É diferente das pessoas nas ruas, que basta o ator colocar a cara na tevê para ser reconhecido. O pessoal da técnica acompanha as cenas todos os dias e só se pronuncia quando o ator chama a atenção mesmo'', pondera Tuca.
O ator de 39 anos também gosta do fato de José Carlos também não ter nada a ver com seu universo pessoal. Para Tuca, quanto mais distante de sua personalidade for o personagem, mais facilidade vai ter para interpretá-lo. No caso de José Carlos, o ator diz que até tentou, mas não encontrou nenhum elo de ligação com o papel. O personagem mantém há 15 anos uma relação com Zenilda e virou administrador da Quinta da Paixão em Portugal graças aos intercursos amorosos com a patroa. Mesmo assim, Tuca sai em defesa de José Carlos. ''Se ele fosse apenas um golpista já tinha dado o fora daquela relação, mesmo porque a Zenilda é difícil de aturar'', argumenta.
Tuca também não dá tanta importância aos laboratórios de composição, costume de vários atores antes das estréias das novelas. Para ele, importante mesmo é entender o papel e não viver a experiência profissional ou pessoal ligada ao personagem. Tanto que Tuca recorda que nas primeiras semanas de ''Sabor da Paixão'' não conseguia responder exatamente como era o aventureiro José Carlos, que começou em Portugal como catador de uvas na quinta de Zenilda e com o tempo chegou ao cargo de administrador do local. ''Pode-se fazer muito bem um marceneiro sem bater um prego na madeira. O personagem é um quebra-cabeça que vai se encaixando em oito meses de novela e que flui naturalmente'', afirma o ator.
Tuca faz questão, no entanto, de sempre tentar diversificar o estilo de seus personagens televisivos. O primeiro papel de destaque do ator na tevê foi o vilão Ladislau, de ''O Dono do Mundo'', novela de Gilberto Braga exibida em 1991 na Globo. Tuca lembra que, depois de aparecer na trama global, recebeu vários convites para interpretar outros vilões, mas preferiu dizer não. ''Tive sorte também, pois chega uma hora que, se o ator não consegue trabalho, acaba aceitando qualquer papel, mesmo que vá estigmatizá-lo'', justifica Tuca, que antes de ''Sabor da Paixão'', viveu o engraçado Nicolau em ''As Filhas da Mãe''. ''Prefiro fazer bons personagens, não interessa se é mocinho ou vilão'', garante.
Como sempre está envolvido com peças de teatro - são mais de 30 no currículo e com produções cinematográficas só em 2002 participou dos longas ''Lara'' e ''As Três Marias'' , o ator prefere também ser contratado por obra pela Globo. Apesar de ressaltar que existe o perigo de ficar durante meses sem ser chamado para uma produção televisiva. ''Mas gosto da liberdade de escolher meus papéis na tevê. Sei que desta maneira não vou fazer nada obrigado e o trabalho vai ser bem mais prazeroso'', explica Tuca.


