Zeca Corrêa Leite
De Curitiba
O curitibano que se preza terá amanhã um final de tarde propício para fugir às xaropadas intragáveis de Faustão e Gugu. Às 18 horas estará no palco do Canal da Música ninguém menos que Guinga, compositor e intérprete dos mais refinados da nossa música. Ele volta três meses depois de uma apresentação no mesmo auditório, durante as comemorações de aniversário da Rádio Educativa.
O belo e emotivo espetáculo deverá se repetir, mas desta vez Guinga não estará acompanhado do amigo Paulo Sérgio Santos, excepcional clarinetista que teve participação especial naquele evento. Agora, ele vem para participar de um piloto da série ‘‘Compositores Brasileiros’’, uma realização da Secretaria da Cultura, Canal da Música e Fundacen, que será desenvolvido no próximo ano.
‘‘Somente violão e voz’’, explica o diretor da casa, César Fonseca, sobre o show. A proposta do projeto é justamente a de propiciar o encontro da platéia com os nossos grandes compositores, em espetáculos solos. O interesse maior está na obra dos artistas, e não necessariamente em produções mirabolantes.
O projeto ainda está em fase de estudos e, espera-se, será mais amplo. Uma das atividades programadas, que não chegará ao grande público, será o ‘‘Café com Artista’’.
A idéia é reunir um grupo de músicos, críticos, jornalistas e demais pessoas ligadas à área musical, para uma sessão com os artistas convidados. ‘‘Café com Artista’’ acontecerá no piloto deste final de semana, no Canal. ‘‘Toda vez que tiver um show dentro deste projeto, haverá esse bate-papo’’, afirma Fonseca.
Guinga abre a sessão amanhã com ‘‘Igreja da Penha’’, depois vem ‘‘Di Menor’’, ‘‘Saci’’, ‘‘Sargento Escobar’’, ‘‘Noturno Leopoldina’’, ‘‘Catavento e Girassol’’, ‘‘Você, Voc꒒, ‘‘Chá de Panela’’, entre outras. Enfim, composições suas e outras em parcerias com Chico Buarque, Celso Viáfora, Paulo César Pinheiro, Aldir Blanc.
Dono de uma sensibilidade e uma simplicidade marcantes, ele sabe envolver a platéia. Aos 50 anos de idade e 32 de carreira artística, mantém o dia-a-dia no consultório odontológico, no Rio de Janeiro. Com o sucesso do último CD, ‘‘Suíte Leopoldina’’ (selo Velas), diminuiu um pouco o expediente como dentista para se dedicar mais à composição.
‘‘Não vendo rios de discos, mas o tipo de reconhecimento que recebo me basta’’, declarou à Folha2, quando esteve anteriormente em Curitiba. Consciente daquilo que produz, afirmou: ‘‘Um dia, quando eu morrer, sei que minha música ficará. Construí uma obra.’’
O aval a essa certeza está no interesse demonstrado pelos maiores artistas brasileiros, como Elis Regina, Ivan Lins, Chico Buarque, Clara Nunes, e internacionais, a exemplo de Michel Legrand. Muita gente não o conhece, mas Guinga tem em casa oito Prêmios Sharp. Já o CD ‘‘Catavento e Girassol’’ (Prêmio Sharp de melhor música popular brasileira de 1996), gravado por Leila Pinheiro, vendeu às pencas. As 14 faixas do disco são dele e Aldir Blanc. ‘‘Sou apaixonado pelo dom que Deus me deu’’, rende-se, agradecido.
• Show de Guinga no Canal da Música (Rua Júlio Perneta, 695, Mercês, fone 335-5273). Amanhã, às 18 horas. Ingressos: R$ 10,00 e R$ 5,00 (estudantes).

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