Ranulfo Pedreiro
De Londrina
Quando Toninho Horta estreou como guitarrista em disco, na música ‘‘Trem Azul’’, gravado no ‘‘Clube da Esquina’’, talvez nem ele soubesse que estaria pavimentando uma estrada por onde seguiriam vários outros instrumentistas. A influência do músico se espalhou, resultando numa geração de violonistas que ainda são desconhecidos no Sul: Juarez Moreira, Beto Lopes, Geraldo Viana, Gilvan de Oliveira, Weber Lopes e Caxi Rajão.
Esta turma foi reunida pelo selo Karmin, de Belo Horizonte, no disco ‘‘Violões do Horizonte’’. Toninho Horta é o grande homenageado, com duas composições gravadas – ‘‘Beijo Partido’’ e ‘‘Manuel, o Audaz’’ (parceria com Fernando Brant) – um texto elogioso e a participação em duas faixas. O CD é uma boa amostra da música instrumental que está sendo produzida em Minas e que, como qualquer outra não-comercial, enfrenta dificuldades de espaço e divulgação.
A geração retratada é de veteranos. Compositores como Gilvan de Oliveira e Juarez Moreira estão na estrada há tempos. Não há uma unidade sonora, uma linguagem comum, mas apenas uma tênue costura cerzida por características da música mineira. Cada um desenvolveu estilo próprio. Já não é mais o Clube da Esquina que está em cena, embora os reflexos ainda sejam incisivos. Essa geração reduziu os traços progressivos, optando pelo improviso, pelo acento jazzístico e pela bossa nova.
‘‘Beijo Partido’’ abre o disco com a participação dos seis violonistas e um conjunto encorpado, reunindo vibrafone, um quarteto de cordas e outro de sopros. Os arranjos privilegiam a melodia, aparecem e recuam na hora certa para não ofuscar os solistas. O excesso de músicos não tumultua a faixa, os solistas se colocam sem exibicionismos e o improviso permanece sobre controle. É uma boa entrada. O desfecho segue a mesma linha, com ‘‘Manuel, o Audaz’’. As duas faixas foram gravadas em 1999. As outras foram extraídas dos discos-solo de cada violonista.
‘‘Esse pessoal tem uma bagagem técnica e de criação muito boa. Me surgiu a idéia de juntá-lo no sentido de o todo fortalecer as partes. E mostrar uma música mineira nova, com qualidade única’’, comenta Carminha Guerra, idealizadora do projeto.
Elogiado por João Bosco no encarte, Gilvan de Oliveira é um dos destaques com boa harmonização no solo ‘‘O Beco’’ (Gilvan de Oliveira/Fernando Brant), gravado em 1997, e um improviso competente em ‘‘Saudades do Led Zep’’, de sua autoria. ‘‘Não é um encontro entre iguais, a diversidade fez com que o projeto tivesse essa dimensão. E foi uma surpresa para nós em um tempo em que o mercado está tão voltado para a banalidade’’, ressalta Gilvan, referindo-se à boa repercussão que o disco encontrou em Belo Horizonte.
O músico acentua também a importância de Toninho Horta, reafirmando a homenagem: ‘‘Ele é um divisor de águas na harmonia da guitarra e influenciou outros guitarristas. É o nosso guru.’’ Enquanto pensa em viajar com o show, reunindo os seis violonistas mais Toninho Horta e outros 12 músicos, Gilvan de Oliveira finaliza o álbum que gravou com Belchior, que deverá ser lançado em breve. A idéia agora é trabalhar para que o projeto do disco ‘‘Violões do Horizonte’’ chegue a outros estados.
O CD traz um panorama atualizado na música instrumental brasileira com vários bons momentos e poucas vaciladas. Além de divulgar uma produção que ainda está restrita a Minas Gerais, o álbum traz uma qualidade linear. Os contatos com o selo Karmim pode ser feitos pelo telefone (31) 223-7925, ou pelo endereço Rua Campo Belo, 241/202, Belo Horizonte/MG, CEP 30330-330.Selo de Belo Horizonte lança CD reunindo nova geração de violonistas em homenagem a Toninho Horta
ReproduçãoGilvan de Oliveira traz harmonias bem resolvidas e solos competentesReproduçãoGeraldo Vianna: arranjos e interpretações arrancam elogios de Toninho HortaReproduçãoDISCO/LANÇAMENTO

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