Paris - A morte da atriz Marie Trintignant, aos 41 anos, filha da diretora de cinema Nadine Trintignant e do ator Jean-Louis Trintignant, emociona a França pelas circunstâncias trágicas que a determinaram. Marie, uma atriz que participava das lutas feministas, morreu ontem pela manhã, às 10h20, na clínica Hartmann, de Neuilly, de um edema cerebral causado pelos golpes violentos recebidos de seu companheiro, o cantor Bertrand Cantat, vocalista do grupo Noir Desir, na madrugada de domingo.
Ela havia sido transferida na véspera para a França, depois de ter sido operada em Vilnius, na Lituânia, onde estava para participar de um telefilme sobre a vida da escritora Colette, dirigido por sua mãe. Marie havia deixado Vilnius, a pedido da família, num avião especialmente fretado, mas já se encontrava em coma profundo, com morte cerebral, e os médicos que a operaram afirmavam que não havia nenhuma esperança de salvá-la. Desde a véspera, todos os encefalogramas revelaram o desaparecimento de toda atividade cerebral.
Imediatamente após sua morte, o presidente Jacques Chirac foi um dos primeiros a se manifestar chamando atenção para a ''injustiça de um destino bruscamente interrompido'', enquanto o ministro da Cultura, Jean Jacques Aillagon, lembrou que ''a atriz era uma mulher livre que conduzia sua vida como bem entendia''.
Na noite de sábado, Marie e seu marido Bertrand tiveram uma forte discussão no interior do apartamento de hotel onde se encontravam hospedados. O cantor de rock tinha misturado álcool e droga e atacou sua companheira com golpes violentos.
Segundo a mãe de Marie, Nadine, o mais grave foi que Bertrand, depois de ter espancado a mulher, dormiu ao seu lado e só sete horas depois providenciou os primeiros socorros. Se isso não tivesse ocorrido, provavelmente os médicos poderiam ter agido mais cedo e a atriz teria maiores chances de ser salva. Nadine participou como testemunha da instrução do processo policial em Vilnius e confirmou, em seu depoimento, precedentes agressões praticadas por Bertrand contra suas companheiras. Nadine comentou a importância de se ''evitar novas vítimas do cantor, outras Maries''.
O roqueiro Bertrand Cantat continua preso em Vilnius e insiste na tese do acidente, mas com a morte da atriz poderá ser indiciado por homicídio. Na França, uma informação judiciária foi aberta por golpes corporais graves que causaram a morte, sem a intenção de provocá-la. Dependendo do resultado da autópsia, essa acusação poderá ser modificada. Hoje, Cantat foi transferido, em Vilnius, para a enfermaria da prisão, diante do agravamento de seu estado psicológico. Lá ele deveria ser informado da morte de sua companheira.
A vida de Marie com o cantor Bertrand Cantat começou há seis meses. Ambos eram casados, romperam suas ligações e iniciaram uma vida em comum de curta duração e, agora, trágico fim.

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