Violeiro dos bons
Ranulfo Pedreiro
De Londrina
Andando pelo largo do Machado, no Rio de Janeiro, o jovem estudante de direito se deleitou com o som de viola de uma dupla caipira. O interior falou mais alto, as raízes sertanejas afloraram nos nervos e foi aí que o rapaz abandonou os estudos, conheceu Tião Carreiro e se dedicou ao instrumento. Hoje, Almir Sater é um dos violeiros mais importantes do Brasil.
Após cinco anos sem tocar em Londrina, Sater se apresenta hoje e amanhã no Teatro Marista, a partir das 21 horas. O repertório não deve trazer grandes novidades, e nem é preciso. O músico conhece seu público e sabe como agradá-lo.
Meu show sempre vem em função do som de viola, e um show em teatro é mais propício para o som acústico. O repertório vai ficar em cima dos meus discos, e talvez eu faça um ou outro instrumental inédito, comentou Almir Sater, em entrevista por telefone.
O músico vai se apresentar acompanhado por Zé Gomes no violino, Carlão de Souza no violão de 12 cordas, Rodrigo Sater - irmão do violeiro - no violão, Reginaldo Feliciano no contrabaixo e Luís Lopes nos teclados. É um time que acompanha Almir há tempos, portanto o entrosamento é garantido.
Entre os sucessos, devem ganhar destaque composições como Chalana, de Mário Zan; Trem do Pantanal, de Paulo Simões e Geraldo Rocca; Razões, de Almir Sater e Paulo Simões; e Tocando em Frente, de Almir Sater e Renato Teixeira.
Antes, porém, daquela tarde em que se emocionou no Rio de Janeiro, Sater se dedicava ao violão. Era com ele que driblava as horas extensas da vida conturbada na cidade grande. Quando a viola se tornou bússola, logo o rapaz adotou Tião Carreiro como mestre. Carreiro é apontado por muitos - entre eles Pena Branca & Xavantinho - como um capítulo à parte dentro da história da música caipira - em 1996 ganhou um disco tributo, Saudades de Tião Carreiro, do qual Sater participou.
Em Campo Grande, Almir Sater formou a dupla Lupe e Lampião e, posteriormente, trabalhou com Tetê Espíndola no grupo Lírio Selvagem. Após acompanhar Diana Pequeno por um período, o violeiro recebeu um convite para gravar pela Continental, e lançou o primeiro disco, Almir Sater, em 1981, com participação especial de Tião Carreiro.
Mas era um período em que a música sertaneja ou caipira ainda ficava relegada ao segundo plano. Se comparar com o espaço que tinha antigamente, hoje melhorou muito. Acho que quebrou um pouco o preconceito quando o sertanejo romântico começou a fazer muito sucesso. Até então, se você era sertanejo, ganhava 50% a menos que o artista popular, explica.
Em 1984 o músico percorreu o Pantanal pesquisando costumes e melodias da região. No ano seguinte, lançou o aclamado Almir Sater Instrumental. Posteriormente seguiu para os Estados Unidos, onde gravou um disco em Nashville e tornou-se conhecido em todo o Brasil ao participar da novela Pantanal.
Atualmente, com vários álbuns no currículo, Sater espera o momento ideal para lançar um novo trabalho, que traz parcerias com Paulo Simões feitas durante o verão do ano passado. Fui para São Paulo gravar, mas achei tudo meio devagar. Eu sou independente, aí pintou um monte de shows e preferi sair tocando, ressalta. De Londrina, o espetáculo segue para Ponta Grossa, onde será apresentado no dia 12.
Show de Almir Sater - Hoje e amanhã às 21 horas no Teatro Marista (Rua Cristiano Machado, 240), em Londrina. Ingressos antecipados a R$ 20,00 (na dia sobe para R$ 25,00). Mais informações pelo telefone (0+código de opedora+43) 338-3600.O cantor, compositor e instrumentista Almir Sater relembra seus sucessos nas apresentações que faz hoje e amanhã, no Teatro Marista, em Londrina
Arquivo FolhaCom vários discos gravados, Almir Sater é principalmente um dos mais importantes violeiros do Brasil





