VIOLAS AFINADAS
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segunda-feira, 20 de novembro de 2000
Karla Matida De Londrina 
Londrina vive uma segunda-feira musical. À tarde acontece a apresentação do grupo Milewski Ensenble (leia matéria nesta página). E logo mais às 20h30, é a vez do show Louvação, que irá reunir no palco do Cine Teatro Ouro Verde, os músicos Braz da Viola, Pereira da Viola e Paulo Freire. Parte do projeto cultural Viola Caipira Cultura Arte, coordenado por Carlos Mazzarin e Regina Reis, a apresentação de hoje à noite irá mostrar um trabalho inédito do trio de violeiros.
Nós já estivemos no palco juntos outras vezes, mas esta vai ser a primeira em que ficamos apenas os três e vamos aproveitar para mostrar algo inédito, conta Braz da Viola. Os três músicos estão com discos saindo do forno, caso de Braz da Viola e Pereira da Viola, ou o recém-lançado Lambe-Lambe, de Paulo Freire.
Morando em cidades diferentes do interior de São Paulo, os músicos se encontram frequentemente para, é claro, trocar idéias sobre música de viola. Espero que a apresentação em Londrina seja a primeira de uma série, diz Braz da Viola, que cita a participação especial do músico londrinense André Siqueira. Ele também participa do meu novo CD Florescer, lembra.
Durante cerca de uma hora e meia, o trio irá tocar composições próprias em apresentações solo ou com cada um dos companheiros de palco. Será uma ótima oportunidade para o público saber como está o painel da viola caipira, explica Braz. No show de hoje, serão ouvidas três diferentes tipos de afinações encontradas no Brasil: Cebolão, de São Paulo, Rio Abaixo, de Minas Gerais e Canotio Solto, do Mato Grosso.
Diferentes violas também serão usadas pelos músicos, que optaram por mostrar o som da viola caipira, viola de coxo, violas de cabaça (uma delas tocada com arco) e a rabeca. Hoje, cantores sertanejos como Chitãozinho e Xororó não usam mais a viola caipira, como usavam Tião Carreiro e Tonico e Tinoco. Eles priorizaram a voz. Mas alguns teimosos continuaram e foram aprimorando as técnicas, explica Braz.
A música de viola está muito diferente, evoluiu bastante e tem leituras diferentes para cada região do País e de violeiro para violeiro, afirma o músico. O que não significa que o público que for ao show de hoje à noite esperando ouvir os sons tradicionais da viola caipira irá se decepcionar. Pelo contrário, o público vai perceber que o som da viola não foi esquecido e está muito vivo, diz Braz.
Não tem como tocar viola caipira e não citar nomes como Tião Carreiro. Sabendo a base, você pode trabalhar a música sem descaracterizar, ensina. Para Braz da Viola, o público vai conseguir perceber as mudanças e ficar inteirado do que está acontecendo, afirma.
Louvação Show de Viola Caipira. Hoje, a partir das 20h30, no Cine Teatro Ouro Verde. Rua Maranhão, 85. Ingressos a R$ 6,00 e R$ 3,00 (estudantes e antecipados). A promoção é do projeto cultural Viola Caipira Cultura e Arte através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura da Secretaria Municipal de Cultura.


