Violão barroco e contemporâneo hoje na TVE
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terça-feira, 15 de dezembro de 1998
Zeca Corrêa Leite 
A produção de música violonística contemporânea feita no Paraná será mostrada esta noite no programa Especiais TVE, que a TV Educativa leva ao ar às 23h30. Os convidados são Octávio Camargo e Mário da Silva Júnior, ambos professores de Música e Belas Artes do Paraná, mas, antes disso, entusiastas do trabalho contemporâneo.
Prova disso é o CD que Mário da Silva Júnior lançou ano passado, Nova Música Brasileira, onde mostra obras inéditas de compositores como Chico Mello, Norton Dudeque, Octávio Camargo, José Eduardo Gramani, Guilherme Campos, Jayme Mirterbaum Zenamon.
O segundo disco vem em 1999, com uma faixa dedicada ao violonista pelo compositor Arrigo Barnabé. No programa da Educativa, Silva Júnior executará peças de Norton Dudeque, Guilherme Campos e Jayme Zenamon.
Octávio Camargo escolheu para tocar no Especiais TVE o Estudo nº 1, de Villa-Lobos, considerada uma das peças que deram origem ao repertório violonístico moderno. Tem ainda composições de Haus Werner Henze e Desafinado, de Tom Jobim, uma recriação para violão-solo que faz parte de um grupo de peças com inspiração na música popular brasileira, batizado de Suíte G.
A última parte é performática. Camargo dedicou-a à execução de uma peça de Bach, Dois Prelúdios, que ele toca sem olhar para as cordas do violão. Seus olhos fixam-se para a frente, como se estivesse falando com o telespectador - na verdade, declama um texto extraído de Lusíadas. É uma sugestão de reflexão sobre os 500 anos de descobrimento do Brasil.
Qual a ligação entre o poeta luso e o compositor alemão? Apesar de não terem sido contemporâneos, a música de Bach é de grande eloquência, que pode ser comparada à forma épica dos Lusíadas, explica o violonista. Um dos objetivos estéticos da performance é o de ressaltar os valores sonoros do texto camoniano.


