A viola é um instrumento sincero, desses que não acolhem máscaras. Essa foi a linha adotada por Braz da Viola desde o workshop que deu origem à Orquestra Viola de Coité, há dois anos. A surpresa foi a Orquestra ir para frente e encarar um CD que inclui faixas menos ortodoxas, como ''Inhumalôca'' (Braz da Viola) e ''Sonora Garoa'' (Passoca).
A insegurança que havia no começo já não transparece tanto. O disco foi gravado em uma madrugada de agosto, na reprodução da primeira catedral de Londrina existente no campus da Universidade Estadual da cidade. Como o clima foi se descontraindo, o disco ganhou um jeito de celebração, de festa, reforçado pela folia ''Nossa Senhora da Guia'' (Valdomiro Bariani Ortêncio), a primeira faixa.
Com um pé no tradicional e outro em compositores mais contemporâneos, o CD traz músicas de Pereira da Viola, Roberto Corrêa, Paulo Freire, Bilora e Arrigo e Paulo Barnabé. O grupo Viola de Coité acerta nos arranjos econômicos, apostando na sonoridade metálica, que se apóia na percussão de Aglaê Frigeri. Não há interpretações virtuosísticas, mas a profunda reverência ao popular, com alguma ousadia.
Essa oscilação mostra que a Viola de Coité não é um passatempo de quem vive de outras atividades. O pessoal está a fim de trilhar um caminho que segue os passos da renovação pela qual a viola vem passando. Uma transformação que não exclui a raiz, mas busca o entrosamento com outras linguagens, ampliando os horizontes do próprio instrumento.

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