Arquivo FolhaCharles Chaplin: mestre na arte de improvisar e um obsessivo perfeccionistaDurante muito tempo, colecionadores de filmes e pesquisadores do mundo inteiro sonharam encontrar um baú cheio de imagens inéditas de Charles Chaplin: copiões, cenas que não foram aproveitadas, filmes abandonados. O próprio Chaplin, criador do imortal personagem Carlitos, deixou ordens expressas para que o material fosse incinerado depois de sua morte - ocorrida há 20 anos, no Natal de 1977. No entanto, sua viúva, Oona O’Neill, permitiu que os produtores Kevin Brownlow e David Gill tivessem acesso ao tesouro guardado nos arquivos da família e que será mostrado em três programas especiais pelo canal GNT, a partir de amanhã, às 23 horas.
Foram descobertas caixas e mais caixas contendo milhares de preciosidades, que acabaram sendo unidas e transformadas no documentário feito para a Thames Television. Os programas mostram os métodos de trabalho de Chaplin, cenas inéditas de clássicos como ‘‘Luzes da Cidade’’ e ‘‘Tempos Modernos’’, além de testemunhos de Jackie Coogan (o menino de ‘‘O Garoto’’), Lita Grey (a protagonista de ‘‘Em Busca do Ouro’’) e Virginia Cherril (a ceguinha de ‘‘Luzes da Cidade’’).
Mestre O documentário ‘‘O Chaplin Desconhecido’’ dá sinais claros de que o criador de Carlitos tinha um gênio difícil. Foi, ao mesmo tempo, um mestre na arte de improvisar e um obsessivo perfeccionista. Ele dedicou 54 anos de sua vida ao entretenimento, produzindo 81 filmes - ele também escreveu e compôs a maioria das músicas de seus trabalhos. Narrada por James Mason, a série apresenta um Chaplin cuja verve parece estar em constante estado de ebulição. Mesmo quando filmava aleatoriamente ou simplesmente bancava o bobo, o comediante desenvolvia idéias, muitas das quais reaproveitaria no futuro.
É o caso, por exemplo, de um filme caseiro rodado na mansão de Douglas Fairbanks e Mary Pickford, no qual Chaplin arrisca uma dança com o globo terrestre e que acabou inspirando o antológico pas-de-deux de ‘‘O Grande Ditador’’.

mockup