Simone Mattos
De Curitiba
Os 20 anos ‘‘bem vividos’’ pela cantora e compositora Joanna, como ela mesma costuma se referir à sua carreira, estão reunidos numa coletânea ao vivo que chegará ao público nos próximos dias. Iniciando a turnê nacional que vai divulgar o disco, ela promete que estará no Sul antes do final do ano e antecipa: ‘‘Pretendo tocar acompanhada pela Orquestra Sinfônica do Paranᒒ.
O show ainda não tem data certa, mas o repertório está garantido. Após uma difícil triagem, ela elegeu 25 canções, que fazem parte do CD duplo chamado ‘‘Joanna 20 Anos ao Vivo’’. As músicas serão mostradas ao público, numa espécie de flash-back dos 18 discos anteriores lançados por ela. ‘‘Será uma grande festa’’, resume.
A cantora passou por Curitiba na semana passada, onde fez os primeiros contatos com a Orquestra Sinfônica do Paraná. ‘‘Acho o trabalho deles bonito e bem feito, comparável ao de outras orquestras do mundo’’, afirma Joanna. Ela antecipa que no Rio de Janeiro e em São Paulo também tocará ao lado das respectivas orquestras.
Para abrir o CD, Joanna escolheu a canção ‘‘Descaminhos’’, feita em 1979, numa parceria entre ela e Sarah Benchimol. A opção não foi por acaso. ‘‘A música que abre o disco abriu a minha carreira, foi o meu primeiro grande sucesso’’, explica.
Outra faixa que ‘‘não poderia ficar de fora da coletânea’’, na opinião de Joanna, é ‘‘Recado’’, que foi o grande hit de sua carreira. Com sotaque suburbano, a composição de Renato Teixeira se transformou facilmente em sucesso.
‘‘Incluí também duas canções de Gonzaguinha, que além de ter sido um grande amigo fazia composições especialmente para mim, o que é raro hoje em dia’’, comenta a cantora.
Outra música dedicada à Joanna, e que acabou virando uma espécie de hino, é ‘‘Nos Bailes da Vida’’. O clássico de Mílton Nascimento e Fernando Brandt foi composta para o disco ‘‘Chama’’, lançado por ela em 1981. Atualmente, a canção integra a coletânea dos 20 anos da artista.
Joanna comenta que se sente orgulhosa por ter gravado obras dos maiores compositores contemporâneos brasileiros. Apesar disto, ela explica que sempre abriu espaço para novos artistas. ‘‘No novo disco, eles também aparecem’’, garante. Um exemplo seria a faixa inédita ‘‘Tô Fazendo Falta’’.
A coletânea ao vivo revela também o lado mais ‘‘festeiro’’ de Joanna. ‘‘Um lado que ficou mais conhecido nos palcos do que nos meus discos anteriores’’, explica a cantora. ‘‘Nas gravações, o que predominou sempre foi o meu trabalho como baladista’’, comenta.
Na coletânea, ao contrário, ela dedica um bom espaço ao samba-choro, ao samba-maxixe, ao samba-de-roda e ao samba-de-raiz. ‘‘Sou carioca e este lado sempre foi muito forte em mim’’, diz ela.
Este lado ‘‘festeiro’’ aparece em faixas como ‘‘Fonte de Prazer’’ e ‘‘Se Duvidas’’, que conta com a participação de Zeca Pagodinho. ‘‘Além de ser um bom amigo, admiro muito o trabalho profissional dele’’, explica Joanna.

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