Vinícolas chilenas são um programa imperdível
Pouco importa se o máximo que você sabe a respeito de vinhos é a surrada regrinha que manda combinar brancos e tintos com carnes da mesma cor. Depois de um passeio pelas vinícolas nos arredores de Santiago, até a historinha das uvas carmenère, orgulho dos chilenos, estará na ponta da língua.
A região produtora do Vale do Maipo fica a cerca de 40 minutos de Santiago e tem 30 vinícolas, entre elas, a Concha y Toro, a mais famosa entre as 200 do Chile. A visita começa pela loja, onde se formam grandes turmas para acompanhar os guias, em inglês ou espanhol.
A antiga casa de verão da família que dá nome à vinícola é a primeira parada e está fechada para visitação. Depois, o grupo segue para a plantação de uvas cabernet sauvignon. O melhor período para ver as parreiras verdes e carregadas vai de fevereiro a maio.
Os guias garantem que os vinhos do Vale do Maipo têm alta concentração de antioxidantes e, por isso, ajudam a manter a juventude. Quer tirar a prova? Pois esse é o momento da primeira degustação, ao ar livre. O escolhido é o Trio sauvignon blanc, feito com três tipos de uvas. Daí por diante, você ficará com a taça na mão e poderá levá-la para casa. A próxima parada é no interior de um dos armazéns de barris de carvalho.
A segunda degustação é a mais estrelada: trata-se do Casillero del Diablo, carmenère estrela da Concha y Toro. Lembra da historinha da uva? Hora de conhecê-la ou recordá-la: as parreiras carmenère, extintas na França no século 19, foram redescobertas no Chile em meio a plantações de uvas merlot. Hoje, o país é o único onde elas são produzidas naturalmente.
Casillero del Diablo em mãos, o grupo é conduzido à adega subterrânea. Lá no fundo, em um canto escuro, está a cave onde Dom Melchor, o fundador da vinícola, guardava as melhores garrafas de sua produção. A lenda diz que elas desapareciam inexplicavelmente. Espalhou-se assim a história de que o local era habitado por seres das trevas, daí o nome do vinho.
O último vinho a ser degustado é o Trio tinto, mais encorpado, composto por 70% de uvas cabernet sauvignon, 15% de shiraz e 15% de cabernet franc. Depois, de volta à loja, é hora de escolher e levar algumas garrafas para casa. O tour pela Concha y Toro custa 6.000 pesos (R$ 22,46). É preciso agendar.
Antes de partir para a segunda vinícola, um restaurante simpático para matar a fome é o Bamboo Restobar, a 10 minutos da Concha y Toro. O local serve parrillada e frutos do mar.
Descontraída
A Undurraga é uma vinícola menor - sua produção é de 15 milhões de litros por ano, o equivalente a 10% do que produz a Concha y Toro. O passeio transcorre em um clima mais descontraído, com roteiro menos rígido. Antes de começar o tour, Germán, o guia, avisa: ''Veremos o processo de produção completo e vocês podem perguntar o que quiserem. O que eu não souber, invento.''
O parreiral, de 140 hectares, se espalha aos pés do Cerro Mallarauco - e, aqui, o visitante conhecerá uma planta de vinificação completamente diferente da que viu na vinícola anterior, toda informatizada. Os envelhecidos, chamados de reserva, descansam entre 4 e 18 meses em barris de carvalho em outro depósito, mais adiante.
Dali para a adega subterrânea, construída em 1885. Uma sala gradeada e fechada a chave guarda mostras dos vinhos exportados desde 1857. A sensação é de caminhar por um castelo medieval. A lamentar, apenas o formato escolhido para as degustações. Os vinhos chardonnay blanc, carmenère e cabernet sauvignon são provados em sequência no fim do passeio, já na loja da vinícola, de forma um tanto atropelada.
A taça, mais uma vez, é brinde para o visitante. A visita à Undurraga custa 7.000 pesos (R$ 26,21) e precisa ser agendada.
SERVIÇO:
Concha y Toro: (00-56-2) 476-5269; www.conchaytoro.com; Bamboo Restobar: (00-56-2) 854-6520; www.bamboorestobar.cl; Undurraga: (00-56-2) 372-2850; www.undurraga.cl





