Vinhos finos vão a leilão
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terça-feira, 20 de maio de 1997
José Carlos Santana Agência Estado 
São mais de 18 mil garrafas. Tanto vinho que o incensado e premiado compositor e produtor de musicais não teria como bebê-lo todo, mesmo vivendo 100 anos. Para não deixar para trás preciosidades como um Château Margaux 1900 ou um Château Latour 1947, Andrew Lloyd Webber encarregou a Sothebys de converter toda essa imensa coleção em libras esterlinas.
Se Baco tivesse uma adega, certamente seria esta. O comentário, impresso na abertura do catálogo, é da suave Serena Sutcliffe, que chefia o Departamento Internacional de Vinhos da Sothebys e foi quem ajudou lorde Webber - feito cavalheiro do Reino pela rainha Elizabeth II - a selecionar as garrafas que irão hoje a leilão.
É claro que, por ser a mais interessada no sucesso do acontecimento, Serena usou e abusou de adjetivos para enaltecer o vinho em oferta. Em matéria de qualidade, variedade e quantidade, diz ela no texto de apresentação, esta é a adega dos sonhos de qualquer colecionador. E vai em frente: Virtualmente, cada garrafa encaixa-se na categoria dos vinhos mais desejados do mundo, nunca vi coleção tão galáctica.
Exagero da moça? Absolutamente, garantem especialistas no assunto. Consultada pela Agência Estado, a internacionalmente respeitada Jancis Robinson, autora do best seller The Oxford Companion to Wine confirmou tudo. A coleção realmente contém vinhos para paladares exigentes, declarou Jancis. São vinhos que raramente aparecem no mercado porque quem os tem em casa não se desfaz deles facilmente.
A ex-colunista de vinhos do Financial Times e autora e apresentadora de um curso na BBC referia-se, por exemplo, ao Le Pin 1982, que custa US$ 50 mil a caixa, como um dos vinhos mais desejados do momento. Ou, então, ao Domaine de la Romanée-Conti 1959, outra raridade. Ou ainda às garrafas de Corton Renardes 1900 e dos champanhes de safras dadivosas produzidos pela Krug, Dom Pérignon e Bollinger.
Há caixas e mais caixas dos Château Cheval Blanc 1947 e 1982, Château Latour à Pomerol 1947, Mouton Rothschild 1953, Haut Brion 1989, Hermitage La Chappelle 1972 e dos Romanée St. Vivant 1989. Vinhos que, junto com os outros da coleção a ser entregue aos interessados na batida do martelo, deverão engordar a conta bancária do milionário Lord Webber com uma quantia próxima dos US$ 5 milhões.
Não que o compositor precise. Cinco milhões de dólares é uma fração pequena do que Lloyd Webber conseguiu juntar criando e encenando musicais memoráveis como Cats, Evita, Jesus Cristo Superstar, Fantasma da Ópera, Song and Dance e Sunset Boulevard, para citar apenas alguns dos seus sucessos no palco.
O jornal Sunday Times, edição de 6 de abril, colocou-o no 24º lugar de sua relação dos homens e mulheres mais ricos do Reino Unido, com uma fortuna calculada em 550 milhões de libras esterlinas (US$ 880 milhões).


