São mais de 18 mil garrafas. Tanto vinho que o incensado e premiado compositor e produtor de musicais não teria como bebê-lo todo, mesmo vivendo 100 anos. Para não deixar para trás preciosidades como um Château Margaux 1900 ou um Château Latour 1947, Andrew Lloyd Webber encarregou a Sotheby’s de converter toda essa imensa coleção em libras esterlinas.
‘‘Se Baco tivesse uma adega, certamente seria esta.’ O comentário, impresso na abertura do catálogo, é da suave Serena Sutcliffe, que chefia o Departamento Internacional de Vinhos da Sotheby’s e foi quem ajudou lorde Webber - feito cavalheiro do Reino pela rainha Elizabeth II - a selecionar as garrafas que irão hoje a leilão.
É claro que, por ser a mais interessada no sucesso do acontecimento, Serena usou e abusou de adjetivos para enaltecer o vinho em oferta. ‘‘Em matéria de qualidade, variedade e quantidade’’, diz ela no texto de apresentação, ‘‘esta é a adega dos sonhos de qualquer colecionador’’. E vai em frente: ‘‘Virtualmente, cada garrafa encaixa-se na categoria dos vinhos mais desejados do mundo, nunca vi coleção tão galáctica.’
Exagero da moça? Absolutamente, garantem especialistas no assunto. Consultada pela Agência Estado, a internacionalmente respeitada Jancis Robinson, autora do best seller ‘‘The Oxford Companion to Wine’’ confirmou tudo. ‘‘A coleção realmente contém vinhos para paladares exigentes’’, declarou Jancis. ‘‘São vinhos que raramente aparecem no mercado porque quem os tem em casa não se desfaz deles facilmente.’
A ex-colunista de vinhos do Financial Times e autora e apresentadora de um curso na BBC referia-se, por exemplo, ao Le Pin 1982, que custa US$ 50 mil a caixa, como um dos vinhos mais desejados do momento. Ou, então, ao Domaine de la Romanée-Conti 1959, outra raridade. Ou ainda às garrafas de Corton Renardes 1900 e dos champanhes de safras dadivosas produzidos pela Krug, Dom Pérignon e Bollinger.
Há caixas e mais caixas dos Château Cheval Blanc 1947 e 1982, Château Latour à Pomerol 1947, Mouton Rothschild 1953, Haut Brion 1989, Hermitage La Chappelle 1972 e dos Romanée St. Vivant 1989. Vinhos que, junto com os outros da coleção a ser entregue aos interessados na batida do martelo, deverão engordar a conta bancária do milionário Lord Webber com uma quantia próxima dos US$ 5 milhões.
Não que o compositor precise. Cinco milhões de dólares é uma fração pequena do que Lloyd Webber conseguiu juntar criando e encenando musicais memoráveis como Cats, Evita, Jesus Cristo Superstar, Fantasma da Ópera, Song and Dance e Sunset Boulevard, para citar apenas alguns dos seus sucessos no palco.
O jornal Sunday Times, edição de 6 de abril, colocou-o no 24º lugar de sua relação dos homens e mulheres mais ricos do Reino Unido, com uma fortuna calculada em 550 milhões de libras esterlinas (US$ 880 milhões).

mockup