Vinho é bebida para todas as estações
O vinho do Porto
pode acompanhar os
doces e charutos
Bebida nobre. Não tem consumidores mas ‘‘apreciadores’’. Para vinhos não se diz safra, mas ‘‘colheita’’. Tudo isso reforça a característica de produção artesanal, tradição secular, dedicação familiar, personalidade, e qualidade dos bons vinhos. Palavras ‘‘difíceis’’ não devem espantar quem começa a degustar vinhos, garantem os especialista, ou melhor, os enólogos. Vinhos podem ser apreciados em todas as épocas do ano e não há regras rígidas para os acompanhamentos, garantem.
Apreciadores de vinho, associados ao Clube do Vinho Mercadorama, reuniram-se na semana passada para o primeiro ciclo de jantares oferecido pelo Mercadorama com o apoio dos Vinhos Portugueses das Caves Messias.
A Cave Messias é uma vinícola familar localizada na cidade de Mealhada (20 quilômetros de Coimbra), com grande tradição vinícola. Os vinhos desta região levam o nome Bairrada, numa referência ao tipo de solo barrento, ideal para a produção de várias espécies de uvas para vinhos.
O Clube do Vinho Mecadorama - que hoje possui mais de 3 mil associados - nasceu há quatro anos com o objetivo de informar os clientes que compram vinhos nas lojas da rede sobre a melhor forma de degustação de algumas espécies da bebida.
O enólogo Guilherme Rodrigues fez a apresentação dos vinhos portugueses, acompanhados de pratos preparados com frutos do mar - especialidade do Restaurante Marinheiro. A chef de cuisine e proprietária do restaurante, Leif Massari, se esmerou no cardápio.
Como entrada, lulas em rodelas fritas com azeite, muito bem acompanhadas de vinho verde branco Santola. ‘‘A acidez e frescor do vinho verde casam com a oleosidade e o perfume dos frutos do mar. Este vinho é seco e ideal para o início de qualquer refeição e também uma ótima opção de aperitivo.’’
Guilherme explica que o vinho branco seco Quinta do Cachão é mais encorpado que o vinho Verde, por isso foi servido para acompanhar o primeiro prato do jantar - Raviolle de peixe. Com o segundo prato - Posta de peixe com molho de açafrão, foi servido a vinho branco da Bairrada - Quinta do Valdoeiro, um dos melhores vinhos brancos de Portugal, segundo Guilherme.
‘‘Pela complexidade do peixe, o prato pede um vinho branco de grande qualidade, bem encorpado e que tenha um frutado forte. Assim é o Quinta do Valdoeiro, um vinho de personalidade e boa acidez.’’
Para a sobremesa serão servidas frutas secas com vinho branco doce Murtelas, pois ‘‘ele é levemente adocicado ao estilo do Sautrnés’’, comenta Guilherme. ‘‘O Murtelas acompanha muito bem as sobremesas leves que tendem a certa acidez, como é o caso das frutas secas.’’
O Vinho do Porto dez anos, excelente para acompanhar doces, sobremesas e charutos, foi servido após o café. ‘‘O vinho do Porto é envelhecido em barris de madeira, é elegante e possui suave aroma de frutas secas.’’
Para finalizar, uma curiosidade: o representante das Caves Messias, Armando Soares dos Reis, que também estava no jantar, contou que possui a garrafa de Vinho do Porto mais antiga da América latina, de 1815. ‘‘Quando vou a Portugal levo a raridade só para trocar a rolha. Ainda não sei em que ocasião vou abrí-la’’, diz brincando, numa tentativa de afastar os ‘‘amigos’’.

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