O pianista carioca Luiz Carlos Vinhas morreu ontem de manhã, aos 61 anos, no hospital Samaritano, zona sul do Rio. Um dos precursores da bossa nova, ele foi vítima de complicações após a realização de uma cirurgia plástica.
Vinhas entrou em coma no último sábado após sofrer uma parada cardiorrespiratória na clínica Interplástica, em Botafogo (zona sul). A causa mais provável da parada foi uma disfunção no fígado, que não teria conseguido metabolizar a anestesia.
O pianista começou sua carreira artística na noite carioca quando tinha apenas 17 anos. Vinhas mantinha muitos planos para este ano. A partir de setembro, iria dar início ao projeto Tem Bossa no Beco, ressuscitando o antigo Beco das Garrafas, reduto da bossa nova nos anos 60.
O pianista foi integrante do trio instrumental Bossa Três, onde atuou ao lado do baixista Sebastião Neto, da banda de Tom Jobim. Vinhas também fez parte da composição original do conjunto Copa Cinco.
O Cremerj (Conselho Regional de Medicina) vai abrir sindicância para apurar as circunstâncias de sua morte e informou que fará uma vistoria na clínica até o final da semana. ''Somente depois de termos analisado os prontuários é que poderemos emitir qualquer opinião sobre o caso e saber se houve negligência médica'', afirmou o presidente do Cremerj, Mário Jorge de Noronha.
No sábado, Vinhas deu entrada na clínica Interplástica para três intervenções cirúrgicas: a correção de uma hérnia abdominal e duas plásticas no rosto (pescoço e pálpebras).
Uma hora e meia depois do fim das cirurgias, o pianista passou mal e foi transferido para o hospital Samaritano, já que a Interplástica não tem CTI (Centro de Tratamento Intensivo).
O diretor da Interplástica, Farid Hakme, descartou, por intermédio de sua assessoria, a possibilidade de erro médico. Hakme também afastou a possibilidade de negligência nos exames prévios. ''Ele passou pelas baterias de exames habituais, as mesmas feitas em qualquer outra clínica. O possível problema no fígado não seria identificado, a menos que fosse feito um exame profundo.'' Sílvia Vinhas, a primeira mulher do músico, disse, por telefone, que houve demora na decisão de chamar a ambulância para a transferência de hospital.
Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgias Plásticas, José Horácio, os procedimentos adotados para a cirurgia de Vinhas são os convencionais, usados em clínicas de qualidade. ''No Brasil acontecem cerca de 350 mil cirurgias plásticas por ano. Ouvimos falar muito pouco de complicações como esta.''

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