Vilarejo encastelado tem apenas 300 habitantes
Pico demográfico foi atingido no século 16 quando o número de moradores chegou a 1452
Zilma SantosMarvão: muralhas cercam toda a vilaDivulgaçãoFlor da Rosa: Monumento Nacional abriga pousadaNo norte do Alentejo, já na divisa com a Espanha, está Marvão, vilarejo escasso em habitantes que sobrevive dentro das muralhas do antigo castelo-fortaleza do século 13. A vila concorre com Óbidos e Santarém ao status de Patrimônio da Humanidade (mais um a integrar a lista de tesouros existentes em Portugal).
Marvão fica em um dos pontos mais altos do Alentejo, na Serra de São Mamede. A diferença de altitude entre a vila e o castelo chega a 100 metros. Instalado no topo da serra, o castelo está a 930 metros do nível do mar; a vila está a 826 metros.
A história confirma que povoar Marvão sempre foi difícil. A não ser soldados desterrados (mal vão... dizia o povo), poucos escolheriam o topo de uma montanha, sem água ou terras para morar. Para incentivar o povoamento, vários privilégios foram concedidos durante os séculos 14 e 15. No século 16, Marvão atingiu o pico demográfico de 1452 habitantes. Hoje são pouco mais de 300 moradores mas já registrou menos 185 pessoas. É o vai-e-vem de turistas em suas ladeiras íngremes que anima diariamente a vila.
Próximo a Marvão, ainda na Serra de São Mamede, fica Castelo de Vide chamada de Sintra do Alentejo por causa do clima fresco e das fontes termais. Em Castelo de Vide o turista encontra ruínas de um castelo um pouco menor que o de Marvão, dos antigos bairros da Judiaria e do Arcário e de uma sinagoga do século 18, quando os judeus espanhóis fugindo da rainha Isabel, a Católica, vieram para Portugal. As ruínas hoje são ponto de peregrinação de turistas judeus que visitam a região.
O sul de Portugal foi, por séculos, território dominado por religiosos. Isso explica o cenário típico da região: poucas casas pequeninas e brancas aos pés de um enorme e opulento convento que domina todo o espaço.
A última parada no Alentejo é Crato, vila onde ainda são visíveis os portais quinhentistas em forma de ogiva que ornamentam as fachadas de alguns edifícios. O conjunto arquitetônico histórico data dos séculos 16, 17 e 18.
Mas o vilarejo é anterior a esse tempo sendo habitado por cartagineses, depois mouros até cair em mãos dos cristãos portugueses.
O Mosteiro de Santa Maria da Flor da Rosa, tombado como Monumento Nacional, começou a ser construído entre 1351 e 1356 por ordem do frei Álvaro Gonçalves Pereira, prior da Ordem da Malta. Segundo os historiadores, levou pelo menos duas décadas para ficar pronto, incluindo a igreja, as torres do paço e as dependências do convento. Restaurado, parte do mosteiro-museu abriga atualmente a belíssima Pousada Flor da Rosa. (Z.S.)





