Juan Fernandez - Você sai do píer na Baía de Cumberland e fica admirado com aquelas casas e quiosques de madeira, todos muito bem construídos e conservados. É como se estivesse chegando a algum lugar do passado, sem a agitação do mundo moderno. Pequeno e receptivo, o vilarejo de San Juan Baptista é o único povoado permanente na ilha. A área urbana tem uma faixa de apenas 150 metros acima do nível do mar. A partir daí começa o Parque Nacional Juan Fernandez, com seus bosques administrados pela Corporación Nacional Florestal (Conaf).
O povoado apresenta poucas ruas e passagens, por causa do relevo costeiro irregular e íngreme. São poucas as ruas pavimentadas, apenas as principais, onde estão localizados a prefeitura, os restaurantes, os minimercados e até uma discoteca, a Brujula, que funciona durante o verão, de dezembro a fevereiro. A entrada custa US$ 1,50. O pisco-cola, bebida local feita de uva misturada com Coca-Cola, sai por US$ 1,70.
San Juan Baptista conta com uma população total de 629 habitantes, de acordo com dados do censo de 2002. E, detalhe: há 99 homens a mais do que mulheres. Toda a população da ilha é formada por colonos de diversas nacionalidades (suíça, alemã, escocesa, francesa, mexicana, espanhola e chilena). A maioria chegou na época da colonização pelo barão suíço Alfred Le Rodt, em 1877.
A família de Wilson Alberto Gonzalez Celedo, velho pescador artesanal, está na quarta geração na ilha. Segundo ele, somente seus parentes correspondem a cerca de cem pessoas dos atuais habitantes. ''Meu bisavô veio para fazer a vida'', diz, orgulhoso.
A atividade econômica da população é a pesca artesanal, principalmente a da lagosta. Os outros habitantes trabalham na área de comércio e turismo e serviços públicos. A comunidade tem estabelecimentos de hospedagem como cabanas, albergues, pousadas, hotéis e residências, que são alugados durante a época de veraneio.
Come-se bem por lá, especialmente pratos feitos com lagostas, caranguejo-gigante dourado e peixes, principalmente na Hosteria El Pangal, localizada na Baía Pangal. As empanadas de lagostas também são bastante conhecidas, mas, assim como os demais pratos, devem ser pedidas com boa antecedência.
As características insulares e a grande distância que separa a ilha do continente determinam o modo de vida dos habitantes, que suportam prolongados períodos de isolamento e escassez. Há três linhas que cobrem a rota Santiago-Ilha Robinson Crusoe, por meio de aviões de pequeno porte, trajeto que, na média, dura em torno de duas horas e quarenta minutos e permite o transporte de passageiros e de pequenas cargas.
O aeródromo está localizado no extremo sudoeste da ilha e, por causa do relevo íngreme, o trajeto até San Juan Baptista é feito em lanchas e botes e dura, em média, uma hora e meia. Na temporada de setembro a maio, os vôos apresentam grande regularidade, especialmente entre dezembro e fevereiro, quando conseguem frequências diárias. Mas, no inverno, por razões climáticas, os vôos são reduzidos quase a zero.
A localidade de San Juan Baptista conta com rede pública de água potável em todas as moradias. A rede de energia elétrica também cobre quase todas as casas e o abastecimento é obtido por meio de geradores, movidos a óleo diesel. O Estado subsidia o consumo de combustível, já que de outro modo a comunidade não seria capaz de custear a operação. Às vezes, por questão de economia, o abastecimento de energia é suspenso à meia-noite e só volta a ser ligado na manhã seguinte.
Quando estiver preparando a mala, lembre-se de levar peças leves, para longas caminhadas, e pelo menos um casaco grosso de náilon, para se proteger dos ventos e do frio. O arquipélago apresenta um clima úmido e sua temperatura média anual é de 15,2º C. O mês mais quente é fevereiro, com uma média de 18,9º C, embora a temperatura durante a temporada de verão possa chegar a 26º C. O mês mais frio é agosto, com 12º C em média. (P.P.)

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