Vilão ou bom moço?
Isadora Andrade
TV Press
Desde que foi convocado para interpretar Mauro, de Suave Veneno, Leonardo Vieira ainda não conseguiu entender a personalidade do personagem. Quando recebeu o convite, só obteve a informação de que o sujeito era um bom moço. Após gravar as primeiras cenas, o ator ficou sabendo pelos jornais que Mauro, na verdade, é um comparsa da malévola Maria Regina, vivida por Letícia Spiller.
Confuso, Leonardo ainda não sabe como transformar o sujeito de boa índole em um vilão. Vou fazer um mau-caráter simpático, brinca o ator. Não é a primeira vez que o ator vive uma situação como essa. Depois de ganhar fama como o coronelzinho Inocêncio da primeira fase de Renascer, Leonardo interpretou personagens que caíram no ostracismo. É o caso de Lucas, de Sonho Meu e Vinícius de Quatro por Quatro.
Resolveu então dedicar-se somente ao teatro e participou de espetáculos como As Criadas, de Ricardo Torres, e Zorro, de Gaspar Filho. Ano passado, decidido a voltar às telas, aceitou o convite do diretor Walter Avancini para protagonizar Brida. Mas, com a falência da Manchete, a novela saiu do ar em apenas dois meses. Agora, Leonardo prefere esquecer o assunto e se dedicar ao Mauro, de Suave Veneno.
Você sentiu alguma dificuldade ao entrar no meio da novela?
É sempre complicado entrar no meio de uma história. Os atores já estão entrosados e seguindo um determinado ritmo de trabalho. É como se eu tivesse pego um barco já andando. É tudo meio assustador. Mas, na verdade, fui muito bem recebido e virei novidade na história.
Em Suave Veneno, o autor Aguinaldo Silva já mudou a personalidade e a trajetória de quase todos os personagens. Assim como os outros, Mauro, em breve, também vai revelar uma nova faceta. O que acha disso?
Como a obra é aberta, não há como ator ou autor fazerem uma composição definitiva do personagem. A gente só conhece e se entrosa com o personagem ao longo da novela. A idéia é fazer um trabalho em conjunto entre ator, autor e diretor. No primeiro momento eu só tinha noção de que Mauro era um bom moço, um executivo que se interessava pela Lavínia, interpretada por Glória Pires. Agora, a cada nova pilha de textos eu descubro mais sobre o personagem.
Você acredita que tais mudanças repentinas possam comprometer não só os personagens, mas também a trama?
Na verdade, tenho um compromisso com o meu trabalho. Não importa se é teatro ou tevê. Quanto ao personagem, vou trabalhando ele com a cara e com a coragem. Prefiro não pensar muito sobre essas mudanças. Se entro na novela como um bonzinho e depois ele muda e vira vilão, o jeito é fazer um mau-caráter simpático. Também não tenho muita noção de como estava a novela porque não costumo ver tevê.
Você não assiste ao veículo no qual trabalha?
Não gosto. Quase nunca assisti televisão. Prefiro me dedicar à leitura. Sempre que tenho tempo livre procuro ler livros. Mas, apesar de não ver tevê, acompanho o trabalho de atores e autores. O Aguinaldo Silva, por exemplo, é um ótimo roteirista. Ele tem diálogos bem escritos e já fez novelas como Roque Santeiro e Tieta.
Com a compra da Manchete pela Rede TV!, como ficou resolvida a sua situação?
A situação ainda é a mesma. Nós, atores que participamos de Brida, processamos a Manchete e estamos aguardando uma decisão da Justiça. Até agora não recebi um tostão. Mas, pelo menos, tive a oportunidade de trabalhar com o diretor Walter Avancini. Foi uma ótima experiência profissional. Acredito que cresci como ator. Ele é um mestre e todos deveriam trabalhar um dia com ele.





