Mata de São João Mais de cinco mil linhas telefônicas, outras centenas de vias de conexão a internet, além de dezenas de canais de televisão a cabo, mantidos por uma substação de energia elétrica com capacidade para atender 100 mil pessoas. Facilidades tecnológicas disponíveis em Costa do Sauípe, àqueles que não querem, ou não podem, se desligar do mundo e aproveitar as belezas de um paraíso natural.
Tecnologia que não chegou à pequena vila de pescadores, chamada Vila de Santo Antônio, localizada a menos de 4 quilômetros do complexo, ou apenas 30 minutos de caminhada pela praia. ''A luz aqui chegou no mês passado'', comemorou uma das fundadoras do vilarejo, Maria Mendes Silva.
Aos seus ''noventa e poucos anos'', como diz dona Maria, a energia elétrica é ainda uma novidade. ''Melhorou muito'', afirma a anciã, que nunca teve a oportunidade de assistir televisão. ''Ela não consegue andar até a vila vizinha, que tem televisão'', justificou a caçula dos cinco filhos de Dona Maria, Belmira Mendes Silva, 47 anos.
Dona Maria não se lembra do ano de fundação da vila, mas garantiu que ''cresceu bastante''. ''Antes eram só três casas, e eram todos parentes'', disse. Hoje, com 38 casas, nenhum dos moradores sabe ao certo contabilizar a população local. ''Quantos moram aqui eu não sei. Só sei que é que é muita gente. Cada casa tem duas, três famílias'', afirmou Izolina Mendes, 57 anos.
Os moradores da Vila de Santo Antonio vivem basicamente da venda de artesanato para os turistas. ''Antes de construírem o hotel nós íamos vender as bolsas em Imbassaí, a 30 quilômetros daqui. Agora podemos vender sem sair daqui'', comemora Adriana Lima, de 14 anos. ''Aprendi com as minhas tias e primas e faço isso desde os oito anos'', contou Adriana. Ela calcula uma renda de R$ 40 por mês com as bolsas de palha, vendidas entre R$ 4 e R$ 10.
Para o aposentado Balbino Mendes, 64 anos, sobrinho de dona Maria, a construção de Costa do Sauípe, iniciada em 98, melhorou as condições de vida dos moradores da vila. ''Aqui melhorou muito em tudo, na venda de artesanato, bebidas e até de água de côco. Também tem emprego, meu filho mesmo é padeiro em um dos hotéis'', afirmou.
Apesar das vendas de artesanato terem aumentado, nada do que se produz na vila é consumido por Costa do Sauípe. ''Precisamos de nota fiscal, por isso não podemos comprar nada dos moradores da vila. Temos que buscar tudo em Salvador. Por isso estamos trabalhando para que eles se organizem e formem cooperativas'', disse o presidente da Sauípe S/A, Thomas Humpert.
Outro trabalho social desenvolvido junto aos moradores locais são as escolas profissionalizantes. ''Fechamos uma parceria com o Instituto de Hospitalidade do Banco do Brasil que vai dar cursos de artesanato e agricultura. A idéia é que essas pessoas produzam coisas que Costa do Sauípe consuma. Precisamos de qualidade e padronização'', explicou. Hoje somente 55% dos 2.100 funcionários do complexo são da região. O demais são moradores de Salvador.

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