Vila Rica põe fim a 30 anos de tradição
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quinta-feira, 01 de fevereiro de 2001
Edna Mendes De Londrina 
A sessão das 21h30 de ontem à noite no Cine Vila Rica, um dos mais tradicionais cinemas de Londrina, ficará na memória dos cinéfilos de plantão.
Os filmes o 6º Dia, com Arnold Schwarzenegger, e Um Homem de Família, foram as últimas atrações nas duas salas do cinema que encerra suas atividades depois de amargar prejuízos devido à falta de público desde que foram abertas salas de cinema nos shoppings. Tanto o Vila Rica como o Cine Londrina, ambos na mesma galeria, estão à venda ou para locação.
Os cines Vila Rica e Londrina encerram as atividades depois de 34 anos de programação ininterrupta. As salas, que somam juntas 1.100 lugares, pertencem a Empresa Cinematográfica Rolândia e ao empresário Ronaldo Passos. A falta de estacionamento para os frequentadores dos cinemas e a falta de segurança na galeria são apontadas como fatores que fizeram o público sumir nos últimos anos.
Os comerciantes vizinhos aos cinemas especulam que pastores de igrejas evangélicas e empresários do ramo de bingos, cursinho pré-vestibular e até de uma casa de shows de strip-tease estão interessados em se instalar no local dos cinemas.
A gerente do Cine Vila Rica, Jenifer Batista, afirmou que não há nada de concreto sobre o ramo de atividade que deverá se instalar no lugar das salas de exibição. As pessoas telefonam para saber se o espaço realmente está à venda ou para alugar, mas não passa disso. Por enquanto não temos nada definido, disse.
Hoje, serão desmontadas as vitrines onde estão os cartazes dos filmes. Os projetores e a bilheteria devem ser desmontados nos próximos dias. Segundo Jenifer, parte dos oito funcionários será remanejada para as outras salas da empresa no Catuaí Shopping Center, mas alguns deles devem ser demitidos.
A síndica do Condomínio Folha de Londrina, que engloba os edifícios Mônaco e Angélica, localizados na mesma galeria, Cristiane Negri, informou que o estatuto do condomínio não permite a instalação de nenhuma atividade que cause barulho excessivo no local. Uma igreja evangélica causaria um certo transtorno aos moradores e comerciantes porque algumas fazem cultos muito barulhentos. Acredito que um bingo não iria trazer problemas. Mas qualquer atividade vai depender de aprovação dos condôminos, disse.
Os comerciantes da galeria ouvidos pela Folha disseram que estão na expectativa de que a próxima empresa a se instalar no lugar dos cinemas aumente o fluxo de clientes em seus estabelecimentos. Infelizmente os cinemas não dão lucro para nós há muitos anos. Uma igreja e até mesmo um bingo melhoria muito nosso movimento, disse João da Silva Mattos, dono de uma lanchonete na galeria.


