A vila de Caraíva, no litoral sul da Bahia, é um daqueles caprichos que só a natureza tem capacidade de criar. Localizada no município de Porto Seguro e tendo como vizinhos os índios Pataxós da aldeia de Barra Velha, o vilarejo de pescadores é como a fotografia de uma paisagem espremida entre o rio e o mar que não nos cansamos de admirar, onde a tranquilidade é o que de melhor se reflete.
Chegar até Caraíva exige um certo espírito de aventura. Apesar de estar perto de Porto Seguro - 62 quilômetros a partir da balsa de Arraial D’Ajuda - a viagem de ônibus dura, no mínimo, três horas, com rápidas paradas em Trancoso e Itápolis. Se estiver chovendo, aproveite a beleza de Arraial até que o tempo melhore. A passagem se torna impossível na estrada de terra que leva até lá.
A penúltima parada dessa agitada viagem, onde o melhor a fazer é agarrar-se com todas as forças na poltrona para evitar contatos com o teto do ônibus, é Nova Caraíva, um pequeno vilarejo que começa a surgir no outro lado do rio. Com a vista panorâmica dali já se pode ter uma idéia da beleza natural que nos espera. O ponto final é logo abaixo, na margem do rio Caraíva. Agora só falta pegar uma canoa (R$ 0,50 fora de temporada) e atravessar suas águas calmas e escuras.
Hospedar-se em Caraíva é tarefa fácil fora da temporada. Com ótima estrutura de hospedagem, a vila conta com inúmeras pousadas, desde as mais simples até os bangalôs mais sofisticados com influências de Bali. Durante o verão, principalmente nas semanas do Ano Novo e carnaval, o pequeno povoado de 450 habitantes recebe em média 3 mil turistas, o que acaba tornando esta tarefa quase impossível sem reserva antecipada.
E o verão é a estação mais aguardada pelo povo nativo. Segundo os moradores de Caraíva, o ano é dividido em duas partes: a temporada (de dezembro a fevereiro) e o resto dos meses. Tudo ali é determinado em função destes dois períodos, com exceção de suas praias, mangues, falésias e coqueiros. Estes exibem beleza o ano todo.

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