Viena - A Áustria, país de origem do cineasta Billy Wilder, amanheceu ontem consternada pela notícia de seu falecimento na quarta-feira à noite em Los Angeles. Em Viena, onde ele viveu em sua juventude, a Prefeitura hasteou uma bandeira negra em sinal de luto.
Do presidente da Áustria, Thomas Klestil, ao chanceler (primeiro-ministro) e líder democrata-cristão, Wolfgang Schuessel, até o prefeito de Viena, Michael Hauepl, entre outras muitas personalidades de diversos setores, se manifestaram sobre a perda de Wilder.
‘‘Com grande dor Viena se despede de Billy Wilder. A cidade na qual passou sua juventude deve se considerar afortunada pois ele que em 1933 emigrou para os EUA mostrou, em seus últimos anos, muito interesse e carinho pela cidade de sua juventude’’, assinalou Hauepl.
O prefeito lembrou que Wilder recebeu a ‘‘Cidadania Honorária’’ de Viena no ano passado ‘‘em agradecimento a sua vida exemplar, sua obra inigualável de artista de cinema e cosmopolita’’.
O cineasta, cujo nome real era Samuel Wilder, chegou em 1914, aos doze anos, a Viena de sua cidade natal, Sucha Beskidzka, perto da Cracóvia, então parte do Império austro-húngaro dos Habsburgo e hoje pertencente à Polônia.
Wilder começou a estudar Direito, mas após três meses abandonou a universidade de Viena para trabalhar duramente em um jornal, o que ele mesmo ilustrou com uma anedota: em um só dia teve que entrevistar o compositor alemão Richard Strauss, o dramaturgo austríaco Arthur Schnitzler e seu compatriota Alfred Adler, o qual, ao lado de seu criador, o também austríaco Sigmund Freud, era uma das duas figuras principais da psicanálise.
Foi uma entrevista com o inventor do jazz sinfônico, Paul Whiteman, que o obrigou a viajar a Berlim em 1926, onde se instalou e onde depois de vários filmes de vanguarda foi contratado pelos estúdio alemão da UEFA, no que parecia ser o começo de uma brilhante carreira até que a chegada ao poder do nacional-socialismo o obrigou a ir para o exílio.
A televisão estatal austríaca, ORF, mudou sua programação até a próxima segunda-feira para passar filmes sobre Wilder e outros realizados por ele.
Com a morte de Wilder, ‘‘acaba oficialmente o século XX’’, escreve o jornal austríaco ‘‘Kurier’’.

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