Videoclip Blues é tratado irregular sobre juventude
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quarta-feira, 22 de março de 2000
Por Dib Carneiro Neto 
São Paulo, 23 (AE) - A modalidade de teatro para adolescentes é invencionice recente, reducionismo pós-moderno, artifício escamoteador da falta de qualidade. Afinal, se é bom teatro, fisga igualmente pais e filhos. Faixa etária, neste caso
só funciona como rótulo.
Em cartaz no Teatro do Sesi, "Videoclip Blues", de Léo Lama, carrega consigo essa pecha problemática. O autor, revelado ao público pelo sucesso de bilheteria "Dores de Amores", também assina a direção e demonstra que de carpintaria teatral ele já entende. Depura a cada espetáculo a difícil arte de manter o interesse da platéia pelos diálogos que literalmente desenha no espaço cênico - no caso deste "Videoclip conta com uma decisiva ajuda de recursos competentes de iluminação.
O problema é a temática rasa. Lama parece ter relacionado, antes de escrever, uma série de temas que, teoricamente, seriam do universo teen: vestibular, drogas, sexo, aids, rock. Aí, foi contemplando cada um desses assuntos ao longo do texto e, pronto, estaria feita a obra dita jovem. Errado.
A profundidade das questões fica emperrada nos limites de frases como "Será que a vida é uma droga?" ou "Seu pai também adora maconha". Não que se deva fazer tratados dodecassílabos, mas uma coisa é certa: a peça funciona melhor quando há mais espontaneidade nas falas e menos tentativas construídas de resumir no casal de personagens todos os dramas do universo jovem contemporâneo.
Quando a namorada responde ao "Eu te amo" do ex-namorado com: "Isso é frase de barriga de ursinho", aí está o mundo teen retratado com inteligência e boutade. Quando o garoto senta na privada e fala do fracasso no vestibular em meio a interjeições de dor de barriga, isso - ao contrário - é jogo barato e apelativo, dramaturgia pífia. São oscilações comprometedoras - assim como a intervenção da linguagem de vídeo
por meio de um telão, é absolutamente dispensável no final, embora agradável no início da peça. Serviço - Videoclip Blues. Comédia. Texto e direção de Léo Lama. Duração: 1 hora. Sábado e domingo, às 16 horas. Grátis (retirar convites com uma hora de antecedência). Teatro Popular do Sesi. Avenida Paulista, 1.313, tel. 284-3639. Até 30/4


