Uma das principais dificuldades de um programa que está há muitos anos no ar é não perder o fôlego. O "Vídeo Show" é uma prova dessa busca incessante. O formato estreou em 1983, apresentado por Tássia Camargo e Ronaldo Cury, na intenção de relembrar os principais momentos dos iniciais 18 anos da Globo. De lá para cá, a proposta se manteve. Com muitos apresentadores e modelos testados, a função ainda é a tentativa de retratar os bastidores, resgatar o passado e mostrar um pouco da rotina dos atores. O problema é que o programa vem perdendo a mão. Na última tentativa, Zeca Camargo foi engolido pelo carisma e jeito histriônico de Otaviano Costa. Um completo naufrágio. Motivo para mais uma repaginada. Agora, ao vivo e comandado por um mais contido Otaviano e por Mônica Iozzi, o programa ainda não encontrou o tom certo.
O que está em questão no "Vídeo Show" não é o talento de Otaviano e Mônica. Ele já provou que, mesmo acima do tom, tem "bagagem" para sustentar um programa. Já ela conseguiu mostrar que junta bem informação e irreverência nos quatro anos que passou no "CQC", da Band. O problema é a falta de pautas interessantes e o formato que imita um telejornal. Com inserções bobas, o programa virou uma espécie de genérico do "TV Fama", da Rede TV!, só que sem o ingrediente que dá algum interesse ao programa: a maledicência. Nada justifica também o programa ser ao vivo. Se a intenção era mostrar o poder já provado da dupla da bancada de improvisar, falhou. Engessados, Mônica e Otaviano parecem reféns do "teleprompter" e toda tentativa de brincadeira fica forçada e um tanto "fake". Virou um festival de besteirol com roteiro.
Se os apresentadores estão pouco à vontade, os demais participantes também não ajudam. Marcela Monteiro parece sempre lisonjeada quando aparecer no ar – ao vivo ou não. A impressão é que estão fazendo um grande favor a ela. Por isso, sempre soa "fãzoca" quando entrevista algum ator ou diretor. O resgate de Cissa Guimarães e Miguel Falabella mais constrange que diverte. No "Gente Como a Gente", Cissa quer mostrar como os atores são pessoas normais. O pior fica a cargo de Falabella. O ator, que já apresentou o "Vídeo Show" por quase 15 anos, volta em uma espécie de "momento autoajuda". Com frases pseudo-profundas e reflexões esdrúxulas, ele consegue encerrar o programa de forma mais bizarra do que ele começou.
Perdido entre pautas fúteis, apresentadores e formato esvaziados, o "Vídeo Show" ainda não se encontrou. Talvez seja preciso mais tempo para que Boninho consiga achar uma forma de dirigir melhor a produção e aproveitar a desenvoltura de Mônica e Otaviano, o carisma de Cissa e o prestígio de Falabella. Ou quem sabe seja o caso de consultar o velho Boni.

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