Vídeo (Celso Mattos)
Celso Mattos
de Londrina
Especial para a Folha2
Depois da bem-sucedida produção independente Pura Adrenalina, de 1996, o diretor Wes Anderson realizou Três é Demais, uma comédia que foi muito bem recebida pela crítica norte-americana. O roteiro acompanha a história de Max Fischer, um excêntrico adolescente de 15 anos que estuda no tradicional colégio de Rushmore, uma das maiores e caras escola do país. O personagem é interpretado por Jason Schartzman (sobrinho do diretor Francis Ford Coppola e filho da atriz Talia Shire, a Adrian de Rocky, o Lutador).
Max Fischer é um anti-herói como há muito o cinema americano não via; um nerd simpático. Ele é um péssimo estudante, mas é responsável por todas as atividades extracurriculares do colégio. Mentiroso compulsivo diz, entre outras coisas, que seu pai, um barbeiro inexpressivo, é um famoso neurocirurgião. É a partir deste anti-herói que o diretor e co-roteirista Wes Anderson faz uma crítica cruel sobre a fracassada sociedade norte-americana.
Mesmo com a comercial tradução do título de Rushmore para Três é Demais que sugere uma comédia sobre sexo o filme não emplacou nos cinemas brasileiros. Sem piadinhas e cenas escatológicas, a produção segue uma linha mais sarcástica e inteligente. Essa atmosfera decadente mostrada pelo diretor fica ainda mais visível quando Max Fischer conhece Blume (Bill Murray), um milionário quarentão que além de alcoólatra, é um fracassado na educação dos filhos e no casamento.
Ambos se apaixonam pela mesma mulher: a professora primária Rosemary (Olivia Williams). Revoltado, Max Fischer detona uma verdadeira guerra que revela o verdadeiro caráter das pessoas que aparentemente parecem tão corretas. Talvez por ser uma comédia mais inteligente do que divertida, Três é Demais agradou mais à crítica do que ao público. Lançamento da Buena Vista. Duração: 93 minutos.
OUTROS LANÇAMENTOS
Reprodução
O filme fala o tempo todo sobre sexo, mas nunca escorrega para a baixaria
O Amor Segundo um Extraterrestre
A história é a mais banal possível, mas contada com muita originalidade. Um homem conhece uma mulher, tem um caso, vira namoro e casamento. O toque de gênio do diretor e roteirista canadense Jeff Abugov, é mostrar tudo do ponto de vista de um extraterrestre. O filme é narrado por um E.T., que nunca aparece, como se fosse um documentário exibido pelo Discovery Channel ou Animal Planet sobre os fascinantes hábitos sexuais humanos.
As típicas frases ouvidas com naturalidade nesses canais como macho e fêmea iniciam o ritual de acasalamento friccionando seus lábios e reconhecendo o corpo do parceiro com as patas superiores, ficam muito engraçadas quando aplicadas aos humanos. A fita é uma delícia, inteligente, bem escrita e dirigida. É o que é melhor: fala sobre sexo o tempo todo, mas sem jamais escorregar para a baixaria. O diretor Jeff Abugov lança mão de ótimos recursos cênicos para criar situações hilariantes. Nunca deixamos de torcer para que o casal consiga a reprodução da espécie. Sem contar que a fêmea é, ufa, a bela Carmen Electra, da série SOS Malibu. Lançamento da Columbia TriStar. Duração: 88 minutos.
Divulgação
Jeff Bridges interpreta um velho hippie que é obcecado pelo próprio tapete
O Grande Lebowski
Mesmo depois de ganhar dois Oscars com Fargo melhor atriz e roteiro original, os irmãos Joel e Ethan Coeh não deixaram de trafegar na contramão do cinema. Em O Grande Lebowski eles mantêm o tradicional repertório de personagens bizarros e situações inusitadas. Desfilam no filme figuras impagáveis como o hippie (Jeff Bridges), que vive chapado e obcecado pelo próprio tapete; um maluco veterano de guerra (John Goodman) e um jogador de boliche ultracafona (John Tarturo).
No melhor estilo dos Coen Brothers, eles se envolvem em crimes praticados por gente incompetente, fazendo a vida parecer um circo regido por leis muito particulares. Mais uma vez, a dupla reforça sua preferência pelos barrados do baile capitalista, falando de anjos desajustados. Entretanto, o resultado fica longe do excelente Fargo. A impressão que fica é que os irmãos Coen escreveram este filme mais doidões que o próprio Lebowski. Lançamento da Warner Home Vídeo. Duração: 117 minutos.





