Celso Mattos
Todas as vezes que o cinema americano quer arrancar lágrimas da platéia, apela para o câncer. Em ‘‘Lado a Lado’’, que acaba de chegar às locadoras, a fórmula está de volta, tentando repetir o êxito de ‘‘Laços de Ternura’’ (1983), que também tinha como mote uma mulher em estado terminal. Juntamente com a doença, o diretor Chris Columbus, responsável pelos dois ‘‘Esqueceram de Mim’’ e pelo delicioso ‘‘Uma Babá Quase Perfeita’’, mistura outro ingrediente que dá muito ibope em Hollywood: a separação de casal com filhos.
É lógico que a separação não pode ser mais tratada com o moralismo de ‘‘Kramer x Kramer’’. Como as novelas da Globo, o cinema americano sabe que é preciso mudar para continuar igual. Com Susan Sarandon e Julia Roberts nos papéis principais, o roteiro de ‘‘Lado a Lado’’ que mistura lares desfeitos e câncer em família é um convite às lágrimas. É difícil chegar até o final sem o apoio de uma providencial caixa de lenços de papel. Mas ao contrário de outros dramalhões, o diretor Chris Columbus soube dosar momentos dramáticos com sequências mais leves.
No filme, Susan Sarandon (com mais uma ótima interpretação), faz Jackie, uma mulher divorcida e com dois filhos que mantém um relacionamento amigável com o ex-marido Luke (Ed Harris). O problema é que ele está morando com uma mulher mais jovem, a fotógrafa Isabel (Julia Roberts) que tenta a todo custo ganhar a atenção dos filhos do homem que ama. A situação ganha novos contornos quando Jackie descobre que está com câncer, e sabe que é a nova mulher de seu ex-marido quem vai cuidar de seus filhos.
Uma história assim renderia nada além de um festival de lágrimas. Mas o roteirista Ron Bass, que escreveu ‘‘O Casamento de Meu Melhor Amigo’’, soube polir os diálogos, deixando-os reluzentes e equilibrados. Frases e cenas que serviriam perfeitamente a uma novela mexicana, surgem em seus lugares certos e sem ofender a inteligência da platéia. É uma história feminina e maternal. ‘‘Lado a Lado’’ é um caso raríssimo em Hollywood: um filme com dois papéis principais femininos muito bem escritos. Mesmo não conseguindo escapar dos clichês, o diretor Chris Columbus fez um filme simpático que agrada principalmente às mulheres.
Apesar de ser uma fita feminina, é um homem o responsável pelos momentos mais hilariantes de ‘‘Lado a Lado’’. O garoto Ben (Liam Aiken), de 7 anos, que interpreta o filho mais novo de Susan Sarandon é ótimo. Ele é o personagem masculino que permanece mais tempo em cena. Ben, sem dúvida alguma, é o que existe de melhor no filme. Sua naturalidade e simpatia em cena são marcantes. Lançamento da Columbia TriStar. Duração: 124 minutos.

Belas imagens entre o céu e o inferno

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