Vídeo (Celso Mattos) - PSICOSE COVER
Celso Mattos
de Londrina
A refilmagem de Psicose, dirigida por Gus Van Sant, chega às locadoras em versão colorida e imperfeita
No mês em que se comemora o centenário do nascimento de Alfred Hitchcock, chega às locadoras o remake de seu filme mais conhecido: Psicose, dirigido por Gus Van Sant. Para quem ainda não assistiu ao filme original, rodado em 1960, vai gostar deste novo Psicose. É um suspense acima da média. Mas quem já viu o antigo, deve se preparar para uma decepção. O resultado, embora muito parecido, está longe de ser uma xerox absolutamente fiel.
Gus Van Sant que se tornou conhecido com os polêmicos Drugstore Cowboy e Garotos de Programa, e, mais recentemente com o sensível Gênio Indomável, repete plano a plano e ângulo a ângulo a obra de Hitchcock. Dos créditos de Saul Bass à conclusão edipiana, tudo se passa como a reencenação de um texto clássico, com amplo respeito ao texto original. O cineasta manteve até a eletrizante trilha de Bernard Hermann. Mas, afinal, onde foi que Gus Van Sant errou? Bem, primeiro foi querer imitar o mestre do suspense e, segundo, tentar explicar tudo o que antes era sutil.
Hitchcock rodou seu Psicose em preto-e-branco, já Van Sant optou por uma refilmagem colorida, no qual prevalece o laranja (cor de sangue aguado). A sexualidade represada do personagem Norman Bates, ressurge em reeleitura explicitamente homossexual. Outro erro do cineasta foi a escolha dos protogonistas. Vince Vaughn, apesar de ser talentoso - mostrou isso em filmes como Swingers e Segredos Imperdoáveis - não convence no papel do psicopata Norman Bates, brilhantemente interpretado por Anthony Perkins no original. Vaughn é alto, bonito e saudável demais para interpretar o esquizofrênico Bates. Já Anne Heche, com seu estilo andrógino, faz o espectador sentir saudades dos seios volumosos e sedutores de Janet Leigh.
Uma ótima lição cinematográfica é assistir aos dois filmes. Primeiro o original, depois o remake. Percebe-se claramente que apesar de Gus Van Sant ter nas mãos o mapa do tesouro, ele não conseguiu chegar aos pés de Hitchcock. Existe um profundo abismo técnico separando os dois diretores. É incrível como a cena original do chuveiro é mais aterrorizante que a nova. São pequenos detalhes - alguns décimos de segundo a mais na edição de som, alguns fotogramas a menos na montagem - que fazem toda a diferença entre uma obra-prima e um pastiche. Mas a melhor lição que esse novo Psicose nos ensina é que não basta reproduzir a matéria, é preciso ser fiel ao espírito. Lançamento da CIC Vídeo. Duração: 109 minutos.





