Celso Mattos
De Londrina
Especial para a Folha2
Lançado nos cinemas praticamente na mesma época de ‘‘Star Wars’’ e ‘‘Matrix’’, o thriller ‘‘O Suspeito da Rua Arlington’’ passou despercebido pelo público e pela crítica. Além de ser um suspense sufocante, o filme conta com as ótimas performances de Jeff Bridges, Tim Robbins e Joan Cusack. A sequência de abertura já deixa o telespectador estupefato. Um garotinho cambaleia pela rua e a câmera mostra apenas seus pés. Sangue pinga no chão e em seu tênis. De repente vemos que sua mão direita está carbonizada. É o começo de uma história assustadora e muito bem bolada.
Quem não teve a oportunidade de assistir a ‘‘O Suspeito da Rua Arlington’’ nos cinemas, não pode deixar de ver em vídeo. Após salvar o garoto, Jeff Bridges conhece seus pais Oliver e Cheryl Lang (Robbins e Joan Cusack) que, na verdade, são seus novos vizinhos. Passado o susto, Jeff Bridges, que interpreta um professor universitário traumatizado pela morte da mulher e que vive atualmente com a namorada e o filho, se torna amigo do casal. Logo, ele começa a desconfiar que aqueles vizinhos boas gente e suburbanos podem ser impiedosos terroristas.
É então que ele começa a investigar o passado do casal e descobrir provas terríveis. Mas o grande barato é que o roteiro, escrito pela novata Ehren Kruger, deixa o telespectador sem saber se as provas têm fundamento ou são apenas paranóia do personagem de Jeff Bridges. Essa dúvida se arrasta até a última cena do filme que, aliás, é um dos melhores desfechos cinematográfico dos últimos anos. Assim como em ‘‘O Sexto Sentido’’, o final de ‘‘O Suspeito da Rua Arlington’’ deixa o telespectador com a pulga atrás da orelha.
O diretor Mark Pellington se esmerou em produzir um thrilher brilhante, tenso e que expõe de forma visceral o medo que os Estados Unidos têm do terrorismo. O filme reúne ainda dois grandes atores que sempre foram esnobados por Hollywood: Jeff Bridges e Tim Robbins. Lançamento da Columbia TriStar. Duração: 117 minutos.





OUTROS LANÇAMENTOS


Reprodução

Carlos Alberto Riccelli está particularmente inspirado no filme


Dois Córregos
É sob uma luz suave, quase impressionista, que se desenvolve esse belo filme de Carlos Reichenbach. ‘‘Dois Córregos’’, melhor produção nacional depois de ‘‘Central do Brasil’’, é o retrato de um Brasil perdido, à deriva entre dois ou mais rios, um país que se ama e se quer lembrar, mas que perdeu o perfil. Carlos Alberto Riccelli interpreta um fugitivo que vive clandestinamente no Brasil na época da ditadura militar, em 1969. Ex-integrante da luta armada, encontra-se escondido no sítio da irmã, na cidadezinha de Dois Córregos, onde vive na mesma casa, com três mulheres fascinantes: Ana Paula (Vanessa Goulart), Lydia (a pianista profissional Luciana Brasil) e Teresa (Ingra Liberato).
A história parte de um longo flashback, no qual Ana Paula (Beth Goulart, na fase adulta), relembra as férias passadas ao lado das amigas e o mistério que o personagem de Riccelli exercia sobre ela. ‘‘Dois Córregos’’ é um filme que transforma em imagem a memória sentimental, que se dedica inteiramente à abstração. Riccelli está particulamente inspirado, aproveitando muito bem sua voz rouca e áspera para dar a angústia necessária ao seu personagem. Repleto de belíssimas cenas e com uma trilha sonora de Ivan Lins, ‘‘Dois Córregos’’ é mais que um filme, é um poema. Num momento em que o cinema parece cada vez mais um entretenimento para crianças retardadas e adolescentes desinformados, ‘‘Dois Córregos’’ vem repropor um cinema adulto. Lançamento da Versátil. Duração: 107 minutos.
A Filha do General
Neste filme John Travolta interpreta Paul Brenner, um competente oficial da Divisão de Investigação do Exército que é escalado para investigar o estupro seguido de morte da capitã Elisabeth Campell, filha de um general. A trama, baseada em um best-seller, passeia pelo mesmo universo de fantasias sexuais do recente ‘‘8 Milímetros’’, mas, ao contrário do filme protagonizado por Nicolas Cage, o clima sufocante dá lugar à mais pura adrenalina. ‘‘A Filha do General’’ é filme de encomenda. Reúne uma história no melhor estilo Sidney Sheldon, coloca no papel principal um astro do cinema americano e, pronto, é só começar a contar as ‘‘verdinhas’’ que começam a cair nas contas bancárias dos executivos dos grandes estúdios.
O telespectador pode até gostar de ‘‘A Filha do General’’, afinal ele já viu esse filme antes porém com uma sutil mudança: a sinopse e os coadjuvantes. O resto é tudo igual. Afinal, o executivos de Hollywood estão cada vez mais especializados em construir espetáculos emocionantes, descartáveis e vazios. Lançamento da CIC. Duração: 116 minutos.

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