Vídeo (Celso Mattos) - Da fábula à crueza da realidade
Celso Mattos
De Londrina
Especial para a Folha2
Três lançamentos em vídeo merecem destaque. O primeiro deles é o premiado A Vida É Bela, de Roberto Benigni, que tirou de Central do Brasil, o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Apesar de não ser um grande filme, tem suas qualidades. É um trabalho digno, que defende uma idéia humanista sem recorrer ao impacto da violência, e nem necessita disso porque se trata de uma fábula assumida. Vencedor de três Oscars - Melhor Ator, Filme Estrangeiro e Trilha Sonora -, A Vida É Bela, a exemplo de Central do Brasil, ganhou mais de 30 prêmios internacionais.
Roberto Benigni dirigiu, estrelou e co-escreveu esta comédia dramática que bateu o recorde de bilheteria de uma produção estrangeira nos Estados Unidos, faturando cerca de US$ 20 milhões. Lançado em vídeo pela Paris Filmes, A Vida É Bela promete o mesmo sucesso obtido nos cinemas.
É uma obra sensível que expõe com muita poesia a luta de um pai para preservar o filho dos horrores dos campos de concentração durante o Holocausto. Reconhecendo que sua história era bastante improvável, espertamente Benigni a transformou numa fábula tragicômica, humanista e antibelicista.
Outro grande lançamento da semana é a produção austríaca Violência Gratuita, uma obra aflitiva e polêmica. Dois rapazes invadem uma casa de veraneio e envolvem um casal e seu filho em uma atmosfera de medo e agressividade, aparentemente sem motivo. É um perturbador estudo da violência na sociedade moderna e, sobretudo no cinema.
O filme é tão incômodo que quando foi exibido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, muitas pessoas abandonaram a sala antes do término. Violência Gratuita foi dirigido por Michael Haneke, que começou sua carreira como dramaturgo e estreou no cinema em 1970. Entre seus trabalhos se destacam O Sétimo Continente e Cronologias do Acaso, todos apresentados na Mostra de São Paulo.
É uma obra impactante que coloca o telespectador como cúmplice da violência. Imperdível! Já quem é fã do cineasta espanhol Pedro Almodóvar não pode deixar de assistir Maus Hábitos, um dos primeiros trabalhos do diretor. Produzido em 1984, antes de O Matador, este filme foi censurado em alguns países latino-americanos. Maus Hábitos narra a história de uma cantora viciada em heroína que, para escapar do suicídio depois da morte do amante, pede abrigo no Convento das Madres Redentoras Humilhadas.
Para sua surpresa, as freiras, que têm nomes bizarros, como Irmã Esterco, Irmã Perdida e Irmã Víbora, também cultivam hábitos nada comuns para religiosos. Elas consomem drogas, têm fantasias lésbicas e escrevem romances vulgares usando pseudônimos. Sem contar que uma delas tem um tigre como animal de estimação. Episódico e debochado, Maus Hábitos é espetacular. Os dois filmes foram lançados em vídeo pela Cult Filmes.Chegam às locadoras Violência Gratuita, A Vida É Bela e Maus Hábitos, três excelentes filmes que merecem ser vistos
DivulgaçãoA Vida É Bela defende uma idéia humanista sem recorrer à violênciaArquivo FolhaFreiras que possuem costumes incomuns são destaque em Maus Hábitos, de Pedro Almodóvar





