Celso Mattos
De Londrina
É impossível traduzir em palavras o complexo roteiro de ‘‘Matrix’’. É preciso ver o filme para entendê-lo. Mas pode-se dizer que a história mistura amor, evolução e fé. Tudo embalado por muitos efeitos especiais. É um filme sobre as escolhas que se faz na vida e as consequências que elas trazem. Logo no início, o personagem high tech Morpheus, interpretado por Laurence Fisbourne, diz a Neo (Keanu Reeves), ‘‘Você pode escolher entre a pílula vermelha e a azul. Se escolher a azul, você vai acordar de manhã em sua casa e sua vida vai permanecer a mesma. Mas se você escolher a vermelha, vai descobrir o quão funda é a toca do coelho de Alice.’’
A ‘‘Alice’’ a quem Morpheus se refere é aquela do ‘‘País das Maravilhas’’. A obra de Lewis Carroll é apenas uma das dezenas de referências literárias, religiosas, filosóficas e da cultura pop que os irmãos Andy e Larry Wachowski – roteiristas e diretores de ‘‘Matrix’’ – misturaram para criar um universo único e cheio de possibilidades. Os diretores fizeram apenas duas exigências aos atores: eles tinham que entender o conceito do filme e fazer todas a cenas sem dublês, o que rendeu ao elenco muitos hematomas. Reeves torceu o pescoço, Hugo Weaving, quebrou duas costelas, Laurence Fisbourne abriu a pálpebra e Carrie-Anne Moss machucou o quadril.
Foram convidados para interpretar o papel principal do hacker Neo, os atores Leonardo DiCaprio, Will Smith e Brad Pitt, como todos recusaram, o personagem foi parar nas mãos de Reeves, que adorou o conteúdo filosófico e espiritual do roteiro. Gostou tanto que já assinou contrato com a Warner Bros. para estrelar ‘‘Matrix 2 e 3’’ que serão rodados simultaneamente com locações na cidade de Sydney, na Austrália. A grande diferença entre ‘‘Matrix’’ e outros filmes de aventura é a consistência do roteiro e as boas cenas de luta, que misturam kung fu e efeitos especiais complicadíssimos. Lançamento da Warner Home Vídeo. Duração: 144 minutos.


OUTROS LANÇAMENTOS

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Filme parece uma cópia mediana da série ‘‘Arquivo X’’



Comportamento Suspeito
Este é mais um exemplar do gênero ‘‘terror adolescente’’ que vem pipocando nas telas dos cinemas. Logo nas primeiras cenas de ‘‘Comportamento Suspeito’’, o espectador vai notar muitas semelhanças com os episódios da série ‘‘Arquivo X’’. O clima, a música de fundo e as tomadas de câmera. A similaridade, no entanto, não é mera coincidência. O filme é o primeiro trabalho no cinema de David Nutter, que dirigiu vários episódios do seriado.
Ele deita e rola com o roteiro bem-acabadinho, mas fraco, de Scott Rosenberg, responsável pelo enredo de ‘‘Coisas para Fazer em Denver Quando Você Estiver Morto’’. Não é preciso fazer muito esforço de reflexão para identificar a crítica que o filme faz ao sistema educacional e à rigidez familiar. Como tantos outros, ‘‘Comportamento Suspeito’’ se passa numa escola americana onde cientistas fazem lobotomia nos alunos para deixá-los adequados a um certo modelo de comportamento. O problema é que quando os meninos sentem algum impulso sexual ficam violentos e colocam todo o treinamento a perder.
Ao final, o espectador fica com a sensação de que assistiu a mais um episódio da série ‘‘Arquivo X’’: bem-feito, intrigante, mas com uma história irregular. O filme traz no elenco Katie Holmes (da série Dawson’s Creek), James Marsden e o veterano William Sadler, responsável pela melhor atuação nesta produção mediana. Lançamento da Columbia. Duração: 84 minutos.

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Freddie Prinze e Rachael Leigh Cook em ‘‘Ela É Demais’’: atuações fracas

Ela É Demais
Na mema linha de ‘‘Dez Coisas que Eu Odeio em Voc꒒, está comédia romântica é uma espécie de ‘‘Pigmaleão’’, atualizada e protagonizada por adolescentes. Mesmo com seu roteiro fraco e atuações medianas ‘‘Ela É Demais’’ fez grande sucesso nos cinemas e promete repetir a dose nas locadoras. É aquele tipo de filme para teenagers americanos que os adolescentes brasileiros adoram. O garoto mais bonito da escola e capitão do time de futebol se apaixona pela garota mais desengonçada do colégio. Mas antes de concretizar esse amor, eles enfrentam todos os tipos de piadinhas e fofocas dos colegas. É tão americano quanto um cartão-postal da Estátua da Liberdade.
O filme traz no elenco grande parte da nova safra de atores teens como Freddie Prinze, Anna Paquin, Paul Walker e Rachael Leigh Cook, todos bonitinhos, mas sofríveis em suas interpretações. Para mentes não muito exigentes, ‘‘Ela É Demais’’ é uma boa diversão. Lançamento da Paris Filmes. Duração: 92 minutos.

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