VÍDEO - Intolerância
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quinta-feira, 07 de março de 2002
Celso Mattos 
Nesse período de entressafra nas locadoras o que pode ser descatado e recomendado é Bicho de Sete Cabeças. Produção nacional da cineasta Laís Bodanzky, com Rodrigo Santoro no papel central. Grande sucesso de crítica e público, o filme arrebatou nove prêmios no Festival de Brasília do ano passado. Todos merecidos! A fita tem um roteiro bem construído, uma ótima direção e a performance dos atores são extremamente convincentes. Quem não viu no cinema deve ver em vídeo.
Bicho de Sete Cabeças tem um outro mérito: é pesado, indigesto, forte, mas é basicamente destinado ao público jovem, o que é raro nos filmes nacionais. Essa raridade faz nossos jovens se contentarem com a ioditice importada aos montes de Hollwooyd. A história é real e aconteceu com um jovem curitibano, na década de 80, dando origem ao livro Contos Malditos no qual é baseado o roteiro, mas a ação foi transportada para São Paulo, nos dias atuais.
Um pai encontra no bolso da jagueta do filho um cigarro de maconha e resolve interná-lo em um manicômio, onde fica três anos convivendo com loucos, tomando remédios e levando eletrochoques. Essa descida ao inferno traz profundas mudanças na vida de Beto (Rodrigo Santoro). Bicho de Sete Cabeças é sobre a intolerância, um soco na boca do estômago de uma sociedade mascarada e conservadora, na qual louco são todos aqueles que resolvem ser diferentes, fugir as regras. Além disso, denuncia como é a realidade nos manicômios brasileiros e como nossos loucos são tratados.
O filme fala sobre a perda de dignidade humana, sobre a intolerância dos pais e sobre a falta de sensibilidade de muitos dos profissionais de saúde. Bicho de Sete Cabeças é mais que uma simples denúncia, é uma viagem ao inferno que revela a hipocrisia da nossa sociedade.
Lançamento da Columbia. Duração: 100 minutos.
A volta de Nosferatu
O diretor E. Elias Merhige e o produtor Nicolas Cage retomam em A Sombra do Vampiro a fantasiosa reconstituição das filmagens do clássico Nosferatu. realizado por F.W. Murnau, em 1922. O diretor abusa dos mesmos recursos de luz e movimentos usados por Murnau em Nosferatu. O filme é tão interessante, mas igualmente bizarro.
No filme, o exótico Murnau é intepretado por John Malkovich que soube caracterizar com seus trejeitos sultilmente efeminados, alternados com furiosos acessos de machismos do cineasta. O conde Orlock que ganha na pele de Willem Dafoe uma encarnação prefeita, recebeu vários elogios da crítica.
A Sombra do Vampiro tem um fotografia estilizada e um trabalho de maguiagem que mereceu uma indicação ao Oscar. Mas por ser excessivamente bizarro, o filme se distancia muito de telescpetador, principalmente daqueles que não conhecem a história de Nosferatu.
Lançamento da Europa. Duração: 104 minutos.


