VÍDEO - Dançando com Billy
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 04 de outubro de 2001
Celso Mattos<br> De Londrina 
Em seu primeiro longa-metragem, o diretor britânico Stephen Daldry conseguiu a façanha de concorrer ao Oscar de melhor diretor neste ano. Uma merecida indicação por seu belo e sensível ''Billy Elliot'' que também deveria estar entre os cinco concorrentes à estatueta de melhor filme, mas por lobby da Miramax entrou no lugar o açucarado ''Chocolate''.
Billy é um inglesinho de 11 anos que mora na pacata cidade de Durham, no interior da Inglaterra. Ainda sofre pela recente perda da mãe, vivendo com o pai e o irmão mais velho que são mineradores, além de precisar cuidar da avó senil. Por imposição do pai, um homem bom, mas rude, ele começa a treinar boxe, mas logo descobre que sua verdadeira paixão é da dança. Escondido da família, ele troca as luvas de boxe pelas sapatilhas.
Grande parte do sucesso do filme deve ser atribuída à escolha do adolescente Jamie Bell para o papel-título. Na infância, ele enfrentou problema semelhante ao do personagem. Em vez de boxe, na escola era obrigado a jogar rugby, quando na verdade queria dançar. Talvez pela identificação, Bell dá uma enorme credibilidade ao esforço de Billy Elliot - que não demonstra nenhum trejeito afeminado - ao se tornar bailarino.
Vivendo no meio de uma família com enormes problemas financeiros e purgando a perda da mãe, ele só consegue a plenitude da expressão de seus sentimentos conturbados através da dança. A cena em que ele enfrenta o pai dançando, tendo ao fundo um ringue de boxe é puro talento e emoção. Apoiado por uma professora de balé, Billy canaliza suas angústias para uma arte que parece dominá-lo por completo. Stephen Daldry fez um filme vigoroso sem precisar, em nenhum momento, apelar para o dramalhão. É um prazer conhecer Billy Elliot e dividir com ele sua grande paixão: a dança. Lançamento da Universal. Duração: 11O minutos.
OUTROS LANÇAMENTOS
Antes do Anoitecer
Neste belo filme do cineasta americano Julian Schnabel, a poesia entra no lugar da dança. ''Antes do Anoitecer'' (Before Nigth Falls) conta a vida do poeta cubano Reinaldo Arenas, marcada pelo contraste da pobreza de sua família e o esplendor de Cuba nos anos 50. Arenas foi entusiasta da revolução cubana, que erroneamente acreditou ser sexualmente libertária. Perseguido como homossexual, tornou-se maldito em seu país, vivendo injustiçado, perseguido e preso pelo regime imposto por Fidel Castro.
Para viver Arenas, o cineasta apostou no talento de Javier Barden (indicado ao Oscar de melhor ator). Barden está perfeito no papel do homossexual afogado pela moral vigente. A câmera nervosa, a cenografia oscilante entre o colorido e o acinzentado, a música caliente e os sussuros de Lou Reed reproduzem os momentos mais sofridos e descabidos do castrismo por meio da vida de Arenas, da descoberta de seu talento, sua prisão e sua fuga para os Estados Unidos, onde morre de Aids numa cena de arrepiar. ''Antes do Anoitecer'' conta ainda com as participações especiais de Hector Babenco, Sean Penn e Johnny Deep. Duração: 125 minutos.
E Aí, Meu Irmão, Cadê Você?
George Cloone vive o prisioneiro Everett Ulysses que passa os dias quebrando pedras num prisão do Mississipi. Um dia resolve fugir e convida dois amigos da prisão, intepretados por John Tarturo e Tim Blake para acompanhá-lo, dizendo que vão em busca de um tesouro perdido, o que os amigos não sabem é que o tesouro ao qual Everett se refere, na verdade é sua esposa e seus sete filhos. A partir daí, os três fugitivos acorrentados embarcam na maior aventura de suas vidas, em busca da liberdade e da promessa de dividirem o tesouro enterrado.
No caminho, encontram uma variedade de personagens curiosos, incluindo um cantor de blues errante que vendeu sua alma ao diabo em troca do talento musical. Um dos maiores destaques desta produção dos irmãos Ethan e Joel Coen, é a trilha sonora composta de clássicos da roça americana. ''E Aí, Meu Irmão, Cadê Você?'' é inspirado na ''Odisséia'' de Homero e traz muitas cenas inusitadas e hilariantes, bem no estilo dos irmãos Coen. Lançamento da Universal. Duração: 107 minutos.


