No ‘‘Dicionário Mulheres do Brasil’’, de A a Z, nomes escondidos na penumbra da história foram levantados, revelando histórias curiosas. Alzira Soriano, primeira prefeita da América Latina, foi eleita em 1928, com 60% dos votos. Alguns adversários apregoavam que mulher pública é prostituta. A eleição da prefeita no Rio Grande do Norte repercutiu nos Estados Unidos, como noticiou o jornal The New York Times.
Ana Campista, interna do Recolhimento de Nossa Senhora do Parto, instituição carioca fundada para abrigar mulheres abandonadas pelos maridos sob a alegação de adultério, foi acusada de atear fogo no local, em 1789. O Recolhimento ardeu em chamas levando à morte uma centena de mulheres.
A índia Diacuí, da tribo kalapalo, casou-se com o sertanista Aires Câmara da Cunha, na década de 60. O casamento aconteceu na Igreja da Candelária, no Rio de Janeiro, em 1952, depois de intensa campanha da revista O Cruzeiro, a favor da união, denominando-a Cinderela Tropical. Morreu em trabalho de parto, nove meses após o casamento. Aires foi responsabilizado pela morte de Diacuí, que foi sepultada com o corpo pintado de urucum e todos seus pertences, exceto o vestido de noiva.
A primeira mulher árbitro de futebol do mundo, a mineira Léa Campos, foi Miss Belo Horizonte e jornalista. Com uma carreira vitoriosa, iniciada em 1971, apitou centenas de partidas importantes no mundo. Após deixar os gramados, diplomou-se pela Federação Mineira de pugilismo. Vive nos Estados Unidos, onde ensina futebol para mulheres. Maria Lenk continua nadando diariamente, apesar dos 86 anos. Ficou conhecida como a primeira mulher sul-americana a competir nas Olimpíadas. Foi excomungada pelo bispo de Amparo (SP), sob a alegação de que dar aulas de natação não fazia parte da natureza feminina.

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