Vidas humanas e vampiros na TV paga
O humor sofisticado de O Fiel CamareiroAté onde pode ir a dedicação de um empregado por seu patrão? A HBO mostra, hoje às 20h30, o relacionamento de um camareiro e um diretor de teatro em O Fiel Camareiro. As vidas e o relacionamento dos elementos que compõem uma companhia teatral itinerante inglesa servem de pano de fundo para o filme do produtor e diretor Peter Yates.
No elenco estão Albert Finney, como Sir; Tom Courtenay como Normam - o camareiro - e ainda Edward Fox, Zena Walker, Eileen Atkins, Michael Gouch e Cathryn Harrison. O Fiel Camareiro mostra o drama real dos bastidores com uma pitada de sofisticado humor.
O filme é um estudo comovente do relacionamento entre o líder da companhia e seu camareiro. Sir, um monstro sagrado do teatro, entregou sua alma à carreira. Mas sua tirânica liderança sobre a companhia começa a desmoronar debaixo das pressões da idade e da doença, no momento em que ele se prepara para a sua duocentésima vigésima sétima atuação em Rei Lear.
Sir conta com um fiel ajudante, o camareiro, que é de uma dedicação tão extrema que chega a ser irritante. Normam inclina-se às exigências, por vezes absurdas, do seu patrão, cuida da sua saúde e procura lembrá-lo do papel que ele está encarnando no presente momento.
Os dois homens são essenciais um na vida do outro. Repleto de comédia, compaixão e amor pelo teatro, O Fiel Camareiro recebeu cinco indicações para os prêmios da Academia: melhor filme, melhor ator (Albert Finney), melhor ator (Tom Courtenay), melhor diretor (Peter Yates) e melhor roteiro (Ronald Harwood).
Outra atração da TV paga é Fome de Viver, hoje na TNT às 2h30. O filme, realizado em 83 com David Bowie e Catherine Deneuve, é uma história de vampiros pós-modernos.
A dor da solidão em Fome de Viver
Fome de Viver conta a história de um casal de vampiros (Bowie e Deneuve), que vivem, através dos séculos, alimentando-se do sangue alheio. A vampira Miriam e seu parceiro John frequentam boates dark à caça de vítimas para seu prazer de sanguessuga. Eles estão juntos nisto há 500 anos.
Ocorre que a carne de John é mais fraca que a de Miriam, a vampira-mestra. Ele começa a viver um processo de insônia e degeneração vivo. Vampiros apodrecem, mas não morrem. A dor de John fere Miriam. Antes de John, outros amores seus tiveram o mesmo destino. Como prova de amor, estão todos, carinhosamente, depositados em urnas e guardados no sótão da mansão.
Enquanto John apodrece, o casal-vampiro assiste o noticiário pela televisão e fica sabendo das descobertas de Sarah (Susan Sarandon). Ela é uma cientista autora do livro Sleep and Longevity, que estuda um tratamento capaz de impedir o envelhecimento.
Como prazer de vampiro não depende do sexo, Miriam vê em Sarah uma possível substituta de John na eternidade. Ao casal de morcegos pós-modernos, junta-se, então, Sarah, uma especialista no estudo da longevidade, intrigada com o processo de envelhecimento fulminante que ataca o vampiro Bowie.
O diretor Tony Scott, irmão de Ridley Scott (Blade Runner) quis, com seus vampiros, retomar a busca existencial que envolve o mito do Conde Drácula, personagem do irlandês Bram Stocker.
Junto com a vida eterna, o morto-vivo que alimenta-se de sangue, obtém também a dor da solidão infinita. Mais do que de sangue, Miriam tem fome de amor, o fluido capaz de manter a força vital que a torna bela e jovem para sempre.
Só que para conseguir o amor de seus amantes, ela é obrigada a mentir para eles. Miriam promete-lhes uma eternidade que só existirá enquanto ela os desejar. Sarah entra na história como o elemento que irá quebrar este elo. Ela vai derrotar Miriam e libertar seus ex-amados da putrefação eterna na sequência final do filme.





