Vida quase real
PUBLICAÇÃO
domingo, 22 de fevereiro de 2015
Geraldo Bessa<br>TV Press 
Um misto de empolgação e incômodo tomam conta de Regina Duarte ao falar de Esther, sua personagem em "Sete Vidas", próxima trama das seis da Globo. Na novela assinada por Lícia Manzo e dirigida por Jayme Monjardim que tem previsão de estreia para segunda, dia 9 de março , ela viverá os dilemas de uma mulher que, após a morte da companheira, teve de criar os dois filhos adotivos sozinha.
Mesmo feliz com o papel, os olhos brilhantes e o sorriso da atriz se fecham quando questionada sobre referências e inspirações para viver sua primeira personagem gay. "Não consigo e nem quero limitar a Esther apenas a essa informação. Antes de ter vivido uma relação lésbica, ela é uma mulher solar, filha do movimento hippie dos anos 1970, que se dedicou à família e tem uma ótima relação com os filhos. É um excelente papel. Muito bem escrito", defende ela, que se diz sem preconceitos, mas prefere não se posicionar sobre a importância de sair ou não do "armário". "Sexualidade é algo muito íntimo", opina.
"Sete Vidas" é a primeira novela em que Regina volta a atuar de forma integral desde "O Astro", de 2011. Antes disso, havia apenas participado dos quatro primeiro capítulos da atual novela das nove, "Império". "Foi uma participação totalmente afetiva. Aguinaldo (Silva) me convidou e eu adoro os chamados dele", conta. Embora já tenha trabalhado com Jayme Monjardim em projetos como "Chiquinha Gonzaga" e "Páginas da Vida", esta é a primeira vez que Regina entra em contato com o texto de Lícia, autora que se destacou com o tom realista de "A Vida da Gente".
A novela de estreia de Lícia como titular, inclusive, foi fundamental na hora da atriz aceitar o convite. "Eu fiquei muito comovida com a história. Essa linguagem naturalista da Lícia é encantadora e um grande exercício em direção ao menos. Não dá para ser teatral ou exagerada, tem de ser leve e cotidiana", acredita.
Aos 68 anos de idade recém-completados e em sua 37ª novela, Regina afirma que ainda consegue se surpreender com os personagens que lhe são oferecidos. "Não posso me queixar. Vejo gente da minha geração com bons personagens e acho isso muito importante. É necessário respeitar essa memória", destaca.
Conhecida pelas mocinhas doces do início da carreira, em tramas como "Véu de Noiva" e "Minha Doce Namorada", a atriz só conseguiu sair desse tipo de papel quando protagonizou "Malu Mulher", em 1980. "É um trabalho necessário para o público e para a própria televisão. Foi muito inovador para a época e envelheceu muito bem", conta. A partir daí, tentando diversificar mais, passou a interpretar heroínas histriônicas em novelas como "Rainha da Sucata" e vilãs tresloucadas como a Clô do remake de "O Astro". "Venho fazendo mulheres muito interessantes", valoriza.
Com autonomia para dizer o que quer fazer dentro da Globo, quando não está no ar, Regina privilegia o desenvolvimento de suas outras facetas artísticas. Em 2012, ela estreou como diretora de "Raimunda, Raimunda" e obteve boa repercussão de crítica e público. De volta ao posto no final do ano passado, planeja levar para o Rio de Janeiro e depois para o resto do país o espetáculo "A Volta Pra Casa", onde reúne três textos do dramaturgo romeno Matéi Visniec. "É uma peça forte, que fala sobre terrorismo e totalitarismo. Tem uma pegada muito contemporânea", ressalta a atriz, que, assim que "Sete Vidas" acabar, também atuará nos palcos com "Bem-vindo Estranho", de Angela Clerkin. "A novela é mais curtinha. Isso é outro diferencial importante. 2015 promete!", torce.



