Vida nova para o museu
Jackeline Seglin
De Londrina
Quem passa pelo lado de fora nota que alguma coisa está diferente. O prédio está mais bonito, o jardim bem cuidado e a obra restaurada. O Museu Histórico Padre Carlos Weiss, de Londrina, está na última etapa do processo de revitalização iniciado há mais de dois anos. Mas o público só vai notar a grande diferença depois de visitar as instalações internas do museu. O contraste com a peças antigas é destacado pela reforma. Piso, paredes, teto, mobiliário, tudo novo. Agora é aguardar a finalização.
A direção e a Sociedade de Amigos do museu estão na expectativa de reabrir o local até o final deste ano. Para isso, muita gente tem batalhado. Voluntários e profissionais contratados estão a todo vapor. Tudo para devolver à cidade um de seus mais importantes espaços, que carrega parte da memória da cidade. O Museu Histórico existe há 27 anos e funciona no prédio da antiga Estação Ferroviária de Londrina desde 1988. A construção tem 50 anos.
A museóloga Maria Cristina Bruno, do Museu Arqueológico e Etnológico da Universidade de São Paulo, tem acompanhado o processo de perto. Ela é a responsável pelo plano diretor de revitalização. Está sendo uma mudança muito grande de forma e conteúdo. É uma revitalização completa, para que o Museu possa se reaproximar de sua vocação, que é a história local.
Nesta etapa do projeto estão sendo montadas as galerias que abrigarão grande parte do acervo do museu, que agora poderá mostrar ao público muitas peças até então guardadas. Cristina Bruno explica que a proposta museológica parte de um trabalho em três frentes Galeria Histórica, Galeria de Objetos e Galeria de Mostras Temporárias.
Segundo a museóloga, a primeira é uma exposição panorâmica dividida em módulos: o empreendimento da colonização, a emancipação de Londrina e a explosão econômica em função do café, seguida da modernidade.
As etapas serão apresentadas através de cenários, vitrines, peças e fotos do processo histórico londrinense, instalados no piso térreo do Museu. Ao entrar na exposição, o visitante vai encontrar uma sala com cenários representativos da Companhia de Terras Norte do Paraná, de uma casa comercial com balcão e utensílios de época e de um típico rancho de chão batido.
Na sequência, a viagem pelo tempo leva ao espaço que representa a emancipação a abordagem da questão política, a contribuição dos imigrantes para a urbanização e a proliferação de serviços. O enfoque são as profissões, representadas por três cenários: a imprensa, a alfaiataria e a joalheria, que também poderão ser vistos do lado de fora do prédio. Nas vitrines, objetos menores e documentos retratam várias outras profissões.
Finalmente chega-se à sala da Explosão Econômica. Dos bons tempos do café à modernidade, representadas pelas estações Ferroviária e Rodoviária de Londrina. As vitrines dedicadas aos temas da modernidade terão desde eletrodomésticos até brinquedos, peças religiosas e de decoração.
Somente nesta galeria, o visitante terá muito o que ver e reviver. No entanto, tem muito mais. A Galeria de Objetos é um espaço específico para as peças que não estarão na Galeria Histórica. O detalhe é que esse espaço vai ressaltar a tipologia dos objetos. Ou seja, vários modelos de uma mesma peça estarão centralizados nesta sala.
Já a Galeria de Mostras Temporárias é o local onde serão concebidas as exposições de curta duração, que vão aprofundar ou desdobrar os temas da Galeria Histórica. Esse espaço também poderá receber exposições de outros museus.
Todo o primeiro andar do Museu Histórico foi revitalizado. Algumas salas estão prontas para receber o público. Outras passam por readequações. Tem a biblioteca com decoração especial e mezanino , o laboratório tecnológico onde ficam os arquivos bibliográficos, de fotos e vídeo, e a Sala do Pioneiro, um espaço de estar que reservou um cantinho para o piano que pertenceu à Rádio Londrina. O Museu Histórico terá, ainda, um auditório multimídia e uma cafeteria à disposição dos visitantes.
Do lado de fora, a complementação da história. O trilho do trem da antiga Estação Ferroviária já está instalado falta a locomotiva, que está para chegar. O galpão de outros transportes também tem seu lugar reservado. Todo o espaço ao redor do prédio foi concebido a partir de um projeto paisagístico. O resultado é um jardim histórico cultural, que terá um cafezal, um jardim japonês, plantas nativas do lugar, além de plantas exóticas. O jardim temático é uma homenagem aos imigrantes e integrará a exposição permanente. Tudo com iluminação especial.
A entrada do Museu será na Praça Rocha Pombo, com acesso pelo túnel recém-reformado. Nesse corredor haverá dois painéis, mostrando o processo de revitalização de um lado e as pessoas que contribuíram com o trabalho de outro, explica Cristina Bruno.
A atual etapa de trabalho está sendo desenvolvida diretamente por dez pessoas funcionários do Museu, a museóloga Cristina Bruno e o profissional de museologia Maurício Silva, também de São Paulo, e o decorador Alexandre Moreira, que tem atuado como voluntário na montagem dos cenários.
O projeto foi patrocinado pela famílias de pioneiros, empresários locais e de outras cidades, Lei Municipal de Incentivo à Cultura e Governo do Estado. O que me impressiona nesse processo é o apoio recebido de tantas pessoas, tudo organizado pela Sociedade de Amigos do Museu, comenta Cristina Bruno.Museu Histórico Padre Carlos Weiss, de Londrina, chega à última fase do processo de revitalização
Cesar AugustoFachada do Museu Histórico Padre Carlos Weiss, em LondrinaMario CesarMaria Cristina Bruno: É uma revitalização completa, para que o Museu possa se reaproximar de sua vocação, que é a história localMario CesarMaurício Silva, de São Paulo, é uma das dez pessoas diretamente envolvidas na atual etapa do projetoMario CesarProposta museológica parte de um trabalho em três frentes: Galeria Histórica, Galeria de Objetos e Galeria de Mostras Temporárias





