Vida em o tempo e o lugar
VIDA EM O TEMPO E O LUGAR
A peça O Tempo e o Lugar estréia
neste sábado na Casa Vermelha, em
Curitiba, e é a primeira montagem
brasileira desta peça do
dramaturgo alemão Botho Strauss
Todas as mulheres
na faixa dos 30 anos
entenderão Marie
Zeca Corrêa Leite
Divulgação/Roberto ReitembachAtores do Grupo Resistência de Teatro que participam da peça O Tempo e o Lugar, de Botho Strauss (ao lado), com direção de Marcelo MarchioroDois rapazes estão num apartamento em Berlim, quando um deles vê passar na rua uma jovem, Marie Steuber. Começa então a divagar sobre a futilidade da garota, até que ela invade o cômodo e põe-se a narrar sobre as pessoas com as quais se relacionou. Como uma névoa, vai baixando um clima de delírio e fantasia, com os personagens surgindo das situações vividas.
Nesse tom onírico desenvolve-se o primeiro ato de O Tempo e o Lugar, peça que estréia neste sábado na Casa Vermelha, em Curitiba. O texto é de Botho Strauss, um dos dramaturgos mais respeitados do teatro alemão, a direção é de Marcelo Marchioro e no papel principal está a atriz Cristine Conde.
Pela primeira vez O Tempo e o Lugar é montado no Brasil. O autor é inédito em Curitiba, embora a platéia carioca tenha aplaudido com entusiasmo, anos atrás, Grande e Pequeno, sua primeira peça encenada no País, através de um projeto bem sucedido de Renata Sorrah.
AbstracionismoA matéria prima do espetáculo é o tempo, sem que necessariamente se faça uso da cronologia. Marie Steuber lembra de casos amorosos ocorridos em sua vida, como se recolhesse pedaços de cerâmicas quebradas. Essas recordações são materializadas no palco, aparecendo então heróis e anti-heróis, envolvidos pelo olhar ora esperançoso, ora desiludido da protagonista.
Cristine Conde, a atriz que vive Marie, é da opinião que a peça coloca em cena o olhar feminino, com toda a profundidade que ele detém. Marie é uma mulher absolutamente comum. Mas, ao mesmo tempo, sintetiza todas as mulheres. Ela se doou aos muitos amores que teve na vida, sem perceber que cada um deles levava um pouco de si. A certa altura está acabada, perdida, sem forças para continuar a jornada.
O destino de Marie Steuber é o mesmo de multidões de apaixonados, sejam eles homens ou mulheres, embora estas ainda tenham o dom maior dessa entrega, acredita Cristine. As pessoas passam por isso todo dia e toda hora, mas não percebem. Elas estão tão preocupadas com o momento que vivem, que não se dão conta do outro lado da doação, afirma.
Idade e cenáriosCristine Conde é uma das profissionais mais requisitadas para composição de cenários teatrais. Há quatro anos ela não representa um papel, e agora cai-lhe justamente o papel principal. Além de defendê-lo a atriz também responde pelos cenários e figurinos.
Quanto à compreensão da personagem, não há qualquer problema. Aos 33 anos de idade, Cristine sabe das marcas internas que Marie carrega. Fosse a atriz cinco anos mais nova e seria difícil mergulhar com a devida intensidade no imenso vendaval que é a alma humana.
Não só eu, todas as mulheres nesta faixa de idade vão entender Marie, aposta a artista. E os homens? Espero que tenham a mesma sensibilidade, responde. Mas como a temática é superior à guerra dos sexos, e fala abertamente da solidão, os cenários criados por Cristine Conde são assépticos, enormes para os personagens que circulam entre eles.
O Tempo e o Lugar, de Botho Strauss, direção de Marcelo Marchioro. De 30 de maio a 19 de julho, na Casa Vermelha (Largo da Ordem), sempre às sextas e sábados às 21 horas, domingos às 19 horas. Com Cristine Conde, Marcelo Munhoz, Leandro Daniel, Moacir Leal, Lia Marchi, Daniel Cardoso, Adriana Alegria, Marcio Abreu, Rodrigo Ferrarini, Helenice Gusso, Glauber Gonzalez. Ingressos: E$ 15,00; R$ 10,00 (bônus) e R$ 5,00 (classe artística e estudantes).





