Vida e carreira
Pablo Neruda nasceu em 12 de junho de 1904, filho de uma professora e de um ferroviário, que se estabeleceu em Temuco, onde, em 1920, o poeta concluiu seus estudos em humanidades. Em 1918, a revista Corre Vuela, de Santiago, publicou, pela primeira vez, versos seus e, dois anos mais tarde, ele adotou o famoso pseudônimo, legalizado pela justiça chilena em 1946. Mudou-se em 1921, para a capital do país, ingressando na universidade como professor de francês, profissão abandonada pela literatura.
Viveu também um pouco das relações exteriores, embora nunca tivesse sido um diplomata de carreira. O primeiro posto foi o de cônsul honorário do Chile em Rangum (Birmânia), onde escreveu Residência na Terra. Em 1933, transferiu-se para Buenos Aires, quando conheceu García Lorca, colega que reencontrou, no ano seguinte, ao mudar-se para Barcelona. A visão dos horrores da Guerra Civil Espanhola e a morte do amigo mudaram a sua escrita e os versos líricos passaram a conviver com aqueles políticos, engajados. Atitude que repetiria em sua vida pessoal.
Cônsul-geral no México, em 1940, Neruda, após conhecer a realidade da América Latina, transformou o Canto ao Chile, que estava criando, no Canto Geral. Senador em 1945, entrou para o partido comunista, foi exilado, concluiu (em 1948) o Canto, ganhou, na ex-URSS, os prêmios Stálin (em 1950) e Lênin, foi perseguido e, ainda assim, produzindo duas dúzias de poemas por dia, ao morrer, com 69 anos, conseguiu deixar uma obra imensa com mais de 3 mil páginas. Iniciada sob o signo do poeta dedicado ao novo, como se descreveu, e encerrada com a amargura de escrever um gênero talvez em vias de superação.
Por isso, a melhor definição de seus versos ainda é a dele: Sou e serei sempre, antes de mais nada, o poeta do amor. Não sou um poeta político, mesmo que me tenha tornado um homem político.





