Para contar a história de Dercy Gonçalves, a autora Maria Adelaide Amaral e o diretor Jorge Fernando levam o telespectador até Santa Maria Madalena - cidade natal da atriz, localizada na região serrana do Rio de Janeiro. Abandonada pela mãe e com uma relação difícil com o pai, que sempre quis conter o jeito abusado da filha, Dercy, interpretada nesta fase por Heloísa Périssé, teve uma juventude cheia de sacrifícios.
Na cidade pequena, a irreverência da jovem a fez alvo de muitas críticas da família e da vizinhança. Tanto que, apesar da boa voz, ela foi expulsa do coral da igreja local por suas atitudes e visual ousado para a época. ''Ela adorava se maquiar. E naquela época, maquiagem muito pesada era coisa de prostituta'', destaca Jorge Fernando.
A vida de Dercy muda ao conhecer os integrantes da companhia de teatro Maria de Castro. Fã de atrizes como Theda Bara e Pola Negri, e incentivada pelo galã da trupe, Pascoal, de Fernando Eiras - que se tornou seu primeiro marido -ela decide seguir a carreira artística. ''A microssérie começa na época da inocência, até Dercy descobrir o mundo'', conta Fernando Eiras.
Com Pascoal diagnosticado com tuberculose, Dercy decide ir para São Paulo fazer teatro e arranjar dinheiro para cuidar do parceiro. Sem grandes chances na cidade grande, ela segue o conselho de uma amiga e começa a se prostituir. É aí que ela conhece sua segunda paixão, Valdemar, de Cássio Gabus Mendes, seu primeiro cliente e pai de sua filha, Decimar. O romance durou pouco mais de dois anos, e mesmo sendo casado, Valdemar registrou e ajudou na criação da criança. ''Na medida do possível, ele tentava proteger as duas'', ressalta Cássio.
Com o apoio de Valdemar, Dercy muda-se com Pascoal para o Rio de Janeiro e começa a ter uma outra perspectiva da carreira. Nas coxias de seus espetáculos, ela acumula amores, como Vito Tadei, de Ricardo Tozzi, e amigos como Chico Anísio, de Nizo Netto, e Carlos Manga, de Danton Mello, diretor da TV Excelsior e responsável pela estreia de Dercy na tevê. ''É uma vida muito rica. E ela fazia o saldo parecer sempre muito positivo'', define Maria Adelaide Amaral. (G.B./TV Press)

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