Ela foi integrante do quinteto vanguardista que mudou a arte no Brasil, nos movimentos modernistas Pau-Brasil e Antropofágico, ao lado de gente como Mário e Oswald de Andrade, Anita Malfatti e Menotti del Picchia. E pela primeira vez os paranaenses terão a oportunidade de ver de perto uma exposição individual de Tarsila do Amaral, em ''Percurso Afetivo Tarsila''. A mostra abre amanhã para o público e fica em cartaz até o dia 5 de outubro, no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba.
A exposição tem como foco central o caminho afetivo de Tarsila, baseado no diário de viagem da artista, com acervo da família, além de pinturas e desenhos de coleções importantes, como as de Nemirovsky, Rodrigo Jacques Perroy, Roberto Marinho, Paulo Kuczynski, Pinacoteca de São Paulo e os muses de Arte Contemporânea e de Arte Moderna de São Paulo.
''O foco central é baseado nessa coisa mais familiar. A pesquisa veio em torno da artista e da pessoa, dos amigos e dos familiares. Todas as obras dela têm essa relação muito forte com os amigos modernistas, tanto os nacionais quanto os internacionais, e com a vida'', explica a sobrinha-neta que leva o mesmo nome da artista e é chamada carinhosamente de Tarsilinha, responsável pela curadoria ao lado de Antônio Carlos Abdalla.
Tarsilinha, 43 anos, museóloga e advogada, não seguiu a carreira de artista plástica mas teve um breve contato com a famosa tia-avó. ''Lembro bem dela, tinha oito anos quanto ela morreu. Meu pai era advogado dela e fazíamos tudo, cuidávamos, levámos ela de kombi para os lugares, porque ela andava de cadeira de rodas. Tive a oportunidade de vivenciar até os últimos momentos da vida dela'', recorda.
Como o próprio nome da exposição denota, as obras contam a história de Tarsila de forma intimista e cronológica, além de evidenciar a recorrente tendência onírica em alguns de seus trabalhos. ''A fase onírica dela sempre esteve presente. Ela mesma contava que uma amiga disse uma vez que 'Antropofagia' lembrava pesadelos. Depois que a amiga disse isso, minha tia lembrou das histórias que as babás contavam quando ela era pequena e morava no sítio, umas histórias sobre monstros. Isso ficou gravado no inconsciente da Tarsila e todos esses sonhos e devaneios vieram disso'', conta Tarsilinha.
A exposição conta com 57 trabalhos, entre pinturas, desenhos, gravuras, esculturas e objetos de uso pessoal de Tarsila, como pincéis, espátulas, cadernos de desenhos, binóculos e agenda telefônica. Além da famosa e emblemática ''Antropofagia'' (1929), a mostra conta com obras nunca antes vistas fora de São Paulo, a exemplo de ''Procissão'' (1954). ''Com sete metros de comprimento, 'Procissão' nunca foi exposta fora de São Paulo porque é muito grande'', explica o curador Abdalla.
''É muito difícil tirar essas obras dos colecionadores e principalmente dos museus, porque eles precisam dessas obras, têm projetos pedagógicos com elas. O MON (Museu Oscar Niemeyer) conseguiu através do prestígio de vocês'', elogia Tarsilinha.

SERVIÇO
- Percurso Afetivo de Tarsila do Amaral
Quando - De amanhã até o dia 5 de outubro, com visitação de terça a domingo, das 10h às 18h
Onde - Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba
Quanto - R$ 4 (adultos) e R$ 2 (estudantes). Não pagam crianças até 12 anos, maiores de 60 anos e grupos agendados de alunos de escolas públicas, do ensino médio e fundamental
Mais informações - (41) 3350-4400

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