Viaro, de corpo e alma
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 15 de outubro de 1997
Zeca Corrêa Leite Curitiba 
ReproduçãoEsta pintura de Viaro, também de construção sólida, depende muito de
seu desenho. A atmosfera desde quadro é mínima, avalia DaSilvaTem quase 300 páginas o livro Guido Viaro - Alma e Corpo do Desenho, de autoria do artista plástico Orlando DaSilva, que será lançado hoje, às 18h30, no Museu de Arte do Paraná. A primeira parte (que não chega a 50 páginas) faz um apanhado da vida e da personalidade do artista, que resultaria na sua obra, feita de fortes cores sociais.
Viaro nunca se esconde da vida, escreve DaSilva sobre um dos mestres da pintura paranaense. Esteja onde estiver, ele a vai descobrir e contar para os outros como a vê. Vai sozinho, de peito aberto, sem medo de desnudar suas certezas, de mostrar seu pensamento e fazer estético. Mais adiante ele observa que com um temperamento desses, só poderia ficar uma obra vigorosa, de forte expressividade.
Estudos O restante do livro é dedicado aos estudos do artista, exemplares a que dificilmente o público teria acesso. São imagens feitas a lápis e caneta esferográfica, em sua maioria, embora haja trabalhos em nanquim e crayon. Muitos desses estudos transformariam-se depois em gravuras.
Reprodução
Viaro apresenta-se aqui como um investigador do seu tempo, um homem envolvido com as crônicas anônimas e diárias: tem mulheres carregando baldes dágua, amantes recolhidos nos quartos, procissão, velório, homens na mesa de bar, crianças nos braços das mães. Em tudo, a aura da solidão.
Guido Viaro - Alma e Corpo do Desenho traz a cada desenho um comentário de DaSilva. Mas o autor faz questão de deixar claro: Eu tento nos meus textos não dar a palavra final. Eu procuro mexer num assunto para que ele seja discutido. Nunca existe um texto final.
Guido Viaro - Alma e Corpo do Desenho. Abertura hoje, às 18h30, no Museu de Arte do Paraná, Rua Kellers, 289. Edição da Secretaria de Estado da Cultura.


