ReproduçãoPaisagem comumTrajeto passa por estradas estreitas entre bosques, montanhas e cidadezinhas medievaisSão 18 dias de paisagens de tirar o fôlego, atravessando os Alpes a partir da Alemanha, pela Áustria, Itália, Suíça e França, cortando a Alsácia, a Floresta Negra e os lagos do sul da Alemanha. Viaja-se por estradas cheias de curvas, atravessando vários passos, único caminho possível entre os picos, um mais bonito que o outro, com florestas de pinheiros, riachos de água cristalina da neve derretida no fim do verão.
A saída de Munique para o sul tem de ser por auto-estrada. Um dos poucos trechos em que não se anda por estradas secundárias, de trânsito mais lento, mas mais interessantes para quem não tem horários a cumprir.
A menos de 40 quilômetros de Munique a estrada passa por Starnberg, onde milionários têm casas de veraneio. A cidade é bonita, mas a pequena Weilheim, a 10 km, é muito mais. Sem frequentadores tão endinheirados, com construções de 400 anos, muitas árvores e uma muralha que só se atravessa pelas portas medievais, é a cidadezinha perfeita para um rápido descanso, umas voltas pelo centro, uma esticada nas pernas.
No começo da viagem, não se deve rodar muito, mesmo que as motos sejam muito confortáveis. É preciso ir acostumando os músculos e ganhando segurança. Garmisch Partenkirchen, uma das mais badaladas estações de esqui da Baviera, é o lugar ideal para a primeira noite. Mas o que fazer numa estação de esqui fora do inverno? Você vai descobrir rapidinho: comer e beber muito bem. Não perca a oportunidade de tomar uma sopa como entrada (lebersptzlesuppe), com uma massinha enrolada com fígado. É recomendável dormir cedo, pois o dia seguinte reserva uma boa estrada, até Innsbruck, a conhecida estação de esqui da Áustria.
Plantações perfumadas Há várias estradas para Innsbruck, mas a mais bonita é a que passa pelo Eibsee (see em alemão, quer dizer lago). Dá vontade de ficar olhando para trás, aquela água tão clara, no meio das montanhas iluminadas pelo sol. Mas, à sua frente está o Zugspitze, de mais de 2.900 metros, o pico mais alto da Alemanha. O Fernpass (passo, em alemão) é o único caminho possível a partir daí. Em pouco mais de uma hora chega-se a Innsbruck, cidade grande e movimentada para os padrões europeus. A cidade tem hotéis de todas as categorias espalhados pelas ruas e avenidas enfeitadas por igrejas, monumentos e palácios construídos desde o século 13. Um passeio a pé, pelas margens do rio Inn, é quase que obrigatório.
A caminho da Itália, direção sul, atravessa-se o Brennerpass ou Passo Brennero, para os italianos. A auto-estrada, com viadutos altíssimos, corta as montanhas sempre numa inclinação suave. Pelas estradas secundárias, a sensação de se vencer a montanha com a moto é bem mais forte. E as curvas, mais gostosas.
Entre Bolzano e Trento há vários passeios, por plantações de maçãs perfumadas, lagos, bosques e estações de esqui nas montanhas Dolomitas, todas de pedra clara, com pouca vegetação. Reserve uma manhã para um passeio até o lago Rosso, no meio de um bosque fechado, rodeado de montanhas. Um microorganismo, que só se desenvolve naquela água limpíssima, se reproduz no verão e tinge toda a superfície de vermelho. À tarde, se perca um pouco pelas estradinhas das pequenas fazendas em torno de Proves. Nessa região do Alto Ádige, que já pertenceu à Áustria, só se fala alemão. Em Cis, ao lado da fonte da praça central, há um afresco de quase 700 anos, em perfeito estado. A cena, de Nossa Senhora com alguns anjos, foi encomendada pelos moradores, no fim da Peste Negra, porque aquele foi talvez o único povoado em que ninguém foi contaminado.

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