O que há de comum entre Nova York, Suíça e o Caminho de Santiago de Compostela? Pelo menos uma coisa: poder pedalar à vontade, conhecendo os principais pontos turísticos sem gastar muito. Na Suíça há boas ciclovias espalhadas por todo o país, por entre lagos e montanhas. Na Espanha, os turistas vão poder pedalar quase 900 quilômetros em 15 dias, percorrendo o tradicional Caminho de Santiago; e em Nova York a opção é participar do Bike New York, evento ciclístico das Américas que este ano comemora 24 anos.
Quem escolher a Espanha tem de estar acostumado a longas trilhas de mountain bike. ‘‘Vamos fazer em média 75km por dia, durante 15 dias, o que vai resultar em calos, muitos calos’’, diz Paulo de Tarso, diretor da Sampa Biker’s que está organizando esta viagem de aventura pela segunda vez. ‘‘O pessoal gostou tanto que quatro pessoas que fizeram o caminho no ano passado já confirmaram sua presença para este ano’’. Sampa Biker’s é um grupo de ciclistas que se reúne semanalmente para pedalar por ruas, trilhas e estradas próximas a São Paulo.
Já para o passeio de Nova York não é preciso nenhum preparo especial. ‘‘São apenas 50 milhas ao redor da ilha de Manhattan’’, conta. E para Suíça, basta adquirir os mapas e boa viagem. A ordem é perder-se nos mais de 3 mil km de ciclovias.
A saída para a Espanha está marcada para 27 de abril, com retorno em 14 de maio. A parte área, hotel no primeiro e último dias, mais translado, sai por US$ 1.500,00 por pessoa. ‘‘Levando mais US$ 500 dá para pagar as pousadas e as refeições durante toda a pedalada, é uma média de 30 dólares por dia’’, acrescenta Tarso. Ele explica que os peregrinos que fazem o caminho a pé têm a prioridade nos albergues e é por isso que os ciclistas se hospedam nas pousadas. Antes do embarque, os participantes devem tirar o ‘‘passaporte de peregrino, na Associação dos Peregrinos do Caminho de Santiago. ‘‘É de graça, basta levar a passagem área. Este passaporte é carimbado durante todo o trajeto e no final você receberá um certificado que concluiu o caminho’’, conta.
O grupo sairá do aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, no dia 27 e chegará a Madri no dia seguinte. Da capital da Espanha, os ciclistas serão levados de avião para Pamplona e, desta cidade, rumarão de van para St. Jean Pied de Port (França), ponto de partida da aventura, que começa no dia 29. ‘‘Vamos direto para o hotel e a pedalada só começará no dia seguinte’’, explica. Os interessados nesta aventura no Norte da Espanha (Galícia) devem entrar em contato, até 20 de abril, no telefone: (0**11) 5183-9477, ou acessar o site www.sampabikers.com.br.
Uma das coisas mais legais desta viagem é poder conhecer os peregrinos pelo caminho. ‘‘São pessoas de todas as partes do mundo’’, salienta Tarso. Outro destaque seria a pequena Puente de la Reina, uma cidade medieval que possui a ponte feita pelos romanos, que dá o nome à cidade. ‘‘É linda, nesta cidade você volta no tempo. Só passamos por ela, mas deu muita vontade de ficar, e outro lugar também marcante é Santiago de Compostela, tem um astral muito bacana’’, diz. Os peregrinos fazem o caminho a pé de 30 a 40 dias, dependendo do ritmo. ‘‘De bike dá para fazer em menos, mas num ritmo muito forte não daria para apreciar a paisagem’’, argumenta. ‘‘O Caminho de Santiago não é uma corrida até Compostela’’, completa.
Tarso avisa que os turistas vão enfrentar frio, calor, subidas íngremes, descidas, trechos bem estreitos, todo o tipo de desafios. ‘‘Por isso, o ideal é levar o mínimo de bagagem (ver boxe) possível no alforje (espécie de mala especial para bicicletas)’’. A bicicleta viaja de avião dentro de uma mala especial. ‘‘Vai como bagagem normal e nunca ultrapassa o limite de peso’’.
A peregrinação é um ato de fé. Durante este passeio, os turistas poderão observar na prática os valores da peregrinação, como a solidariedade. Os elementos culturais e a beleza singular da região da Galícia, com suas vilas, aldeias e costumes, que transformaram este caminho religioso no ‘‘Primeiro Itinerário Cultural Europeu’’ (título dado pelo Conselho da Europa).

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