Com 95 pinturas a óleo e 100 aquarelas e desenhos, o Salvador Dalí Museum, na cidade de St. Petersburg, Flórida – a 90 minutos de carro do Walt Disney World Resort –, abriga a maior coleção do artista fora da Espanha. Mas as obras nunca são expostas ao mesmo tempo. De meses em meses, elas são trocadas para que o visitante sempre veja um novo quadro.
Aberto em março de 1982, o museu nasceu de uma amizade que durou 45 anos entre Dalí, e sua mulher, Gala, e o casal A. Reynolds Morse e Eleanor Reese, que vivia em Ohio. Em 1942, os Morse viram pela primeira vez uma obra do artista e começaram a corresponder-se com ele. Um ano depois, eles se conheceram e, além da amizade, os Morse passaram a colecionar quadros de Dalí. Em quatro décadas, conseguiram formar a maior coleção privada das obras do pintor no mundo.
Logo na entrada do museu, um enorme painel com uma foto do artista convida o espectador a começar o passeio. No hall principal, fotos de Dalí, desde a infância, explicam sua biografia. Ele nasceu em 1904, na Espanha, e começou a pintar ainda criança. Em 1929, conheceu Gala que, além de sua mulher, tornou-se sua principal fonte de inspiração. Em 1940, o casal mudou-se para os Estados Unidos e lá passou todo o período da 2ª Guerra.
Oito anos depois, voltou à Espanha, onde Dalí morreu em 1989. Nas primeiras salas do museu, é possível encontrar as obras que retratam sua paranóia, a influência freudiana em sua vida e a mágoa que sempre guardou do pai. Dalí foi expulso de casa após ter sido banido da Royal Academy, em Madri, e começar a se relacionar com Gala, que era casada.
Na sala Portraiture, reservada aos retratos, está The Average Bureaucrat, de 1930. A obra surrealista mostra a terrível figura paterna. O homem do quadro possui um ameaçador bigode gigante e, na cabeça abaixada, é possível ver dois buracos com pequenas coisas dentro.
Já no Nature Morte Vivante, de 1956, Dalí satiriza os quadros de natureza morta e mostra objetos inanimados, como facas, copos e garrafas, em movimento. Mas é em uma sala central do museu, onde estão quatro grandes obras, em que todo o surrealismo de Dalí vem à tona. Em The Discovery of America by Christopher Columbus, de 1958-59, ele mistura história, religião e mitologia e coloca Gala, sua musa, como uma santa que a todos protege.
No segundo quadro, The Ecumenical Council, de 1960, Dalí retrata a coroação do papa João XXIII, mostra novamente Gala, desta vez como Santa Helena, e também faz um auto-retrato. No canto esquerdo, Dalí aparece pintando. No terceiro, Galacidalacidesoxiribunucleicacid, de 1963, ele interpreta a ressurreição e a conjunção com a ciência moderna que, na época, descobria a genética.
O último quadro, e mais surreal e famoso, é o The Hallucinogenic Toreador, de 1969-70. Nele, Dalí pinta sua Vênus e a reproduz diversas vezes em sombras. Um toureiro aparece para Gala, que tem uma face parecida com a de Jesus. Mais uma vez, um auto-retrato: Dalí se pinta criança, observando a cena.
No museu há ainda uma área reservada apenas para imagens de mulheres e, outra, para os desenhos que Dalí fez ilustrando clássicos de Shakespeare, como Macbeth e Romeu e Julieta. Todas as fases do pintor estão presentes no museu, que não pára de adquirir novos materiais. O mais recente é uma fotografia do artista, de 1951. Nela, Dalí aparece como um homem de meia-idade, com terno risca de giz e os eternos bigodes finos.
SERVIÇO
Salvador Dali Museum: 1.000 Third Street South, St. Petersburg, Flórida, tel. (00--1727) 823-3767. Abre diariamente, exceto no Natal e no feriado de Ação de Graças. Adultos pagam US$ 10; idosos, US$ 7 e estudantes US$ 5.

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