Viajando nas estrelas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 02 de junho de 2005
Luiz Carlos Merten<br> Agência Estado 
Certo estava Spike Jonze, ao desistir de adaptar ''O Mochileiro das Galáxias'' (veja programação de cinema na página 2), convencido de que seria muito difícil, senão impossível, encontrar correspondências visuais para o humor nonsense da marca inglesa que começou nas ondas do rádio e foi passando para romance, série de TV, gibi e video game, antes de desembarcar agora no cinema, a bordo da toalha que é equipamento indispensável para os viajantes do espaço. A coisa já começa mal na voz de José Wilker, que tenta ser engraçado adotando um estilo empostado para passar, em português, as informações de que o público necessita para se situar em relação à história que vai ver.
Justamente a história - é boba, uma comédia romântica sobre um sujeito que perde a casa e a namorada e viaja nas estrelas para (re)encontrar ambas. De quebra, ainda salva a Terra que foi destruída para dar passagem a uma rota estelar, exatamente como a casa dele foi destruída para dar lugar a uma rodovia. Isso confere a ''O Guia do Mochileiro das Galáxias'' certo caráter ecológico, mas é bom não exagerar na seriedade da 'mensagem'.
Qual é o problema de ''O Mochileiro das Galáxias''? O filme poderia trair o original e ser divertido. Poderia ser razoável, como comédia romântica. Mas o diretor Garth Jennings não tem noção do que seja cinema. É cria piorada do ex-Monty Python Terry Gilliam. Há tempos, os filmes desse diretor sacrificam o humor e a leveza sob toneladas de um visual extravagante que significa bem pouco. Há duas ou três piadas divertidas no Mochileiro - a mocinha que usa a faca de cozinha a laser, inspirada na espada do Jedi. Ao cortar o pão, ela já faz a torrada. As piadas querem ser sempre mais inteligentes do que são. Você assiste a O Mochileiro apático, quando não irritado. É um porre.


