Viagem para lugar nenhum
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Rafael Ceribelli <br> Reportagem Local 
Um road-movie lunático, com pitadas de drama e humor negro, o longa francês ''Mamute'' - estreia desta semana no cine Com-Tour/UEL - é o último trabalho dos cineastas Gustave Kervern e Benoõt Delépine, e é um filme que tenta ser sarcástico ao misturar, dentro de um caldeirão de elementos conflituosos, uma narrativa repleta de personagens esquisitos e situações absurdas.
Filmado com uma estética visual que remete aos anos 1970 (o filme foi gravado em Super-16), a história de ''Mamute'' começa no dia da aposentadoria do protagonista Serge (Gérard Depardieu) que, depois de dez anos trabalhando em uma fábrica de presuntos, agora se encontra com mais tempo livre do que gostaria. Logo observamos que o personagem, gordo e desajeitado, também sofre de uma capacidade de raciocínio abaixo da média, tendo extrema dificuldade para cumprir até as tarefas mais cotidianas - e é interessante notar que essa é uma característica recorrente nos últimos personagens interpretados por Depardieu (vide a boa comédia ''Minhas Tardes com Margueritte'', que recentemente também foi exibida no Com-tour).
Casado com a entediada caixa de supermercado Catherine (Yolande Moreau), os problemas financeiros do casal obrigam Serge a buscar documentos em diversos lugares em que trabalhou durante a vida, fazendo ele tirar as teias de aranha da sua velha moto; uma Mammoth 1974, que dá nome ao filme. Assombrado pelo seu passado, o gordo motoqueiro é acompanhado durante a viagem pelo fantasma de sua antiga ex-namorada (Isabelle Adjani) - que, tudo indica, morreu depois de um acidente de moto.
Até a primeira meia hora, a dinâmica estabelecida pelo longa é interessante e consegue até ser engraçada, com algumas estranhas surpresas pelo caminho. O problema é que, depois de um certo ponto, o excesso de personagens bizarros e de situações constrangedoras acaba comprometendo e, finalmente, arruinando qualquer esperança de sentido na história. O ápice do absurdo é revelado quando a sobrinha de Serge (Miss Ming) aparece em cena, vivendo em meio a bonecas deformadas e aquários de gafanhotos, e possuindo uma irresistível atração pelo cheiro do tio.
Depois de diversas situações íntimas entre os dois, como presente de despedida para a sobrinha, Serge prepara uma elaborada surpresa: um sanduíche com camadas de papel e de presunto. E isso resume perfeitamente o que se pode esperar do filme. Nada.


