Viagem no tempo em Tiradentes
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terça-feira, 15 de julho de 2003
Mauro Mug<br> Agência Estado 
Tiradentes - Pequena, sossegada e charmosa, Tiradentes é das cidades históricas de Minas Gerais que melhor preservam sua rica arquitetura colonial, estampada em casarões e igrejas, onde predominam obras barrocas. Quem caminha por suas ruas estreitas e becos tem uma visão viva da história do Brasil Colônia. Os telhados dos casarios, o calçamento feito com grandes pedaços de pedra São Tomé as chamadas ''solteironas'', pois não se unem umas às outras e os moradores se locomovendo montados em cavalos ou em carroças remetem ao passado.
Tiradentes desenvolveu-se por causa da busca do ouro, encontrado pela primeira vez às margens do Rio das Mortes, que originou o Arraial de Santo Antônio do Rio das Mortes, seu primeiro nome. Foi fundada em 1702 por João de Siqueira Afonso, descobridor de muitos filões de ouro na encosta da Serra de São José. Com o crescente número de garimpeiros, o arraial tornou-se cidade em 1860. O nome Tiradentes é uma homenagem a Joaquim José da Silva Xavier, personagem central da Inconfidência Mineira.
A cerca de 200 quilômetros de Belo Horizonte e pouco mais de 480 quilômetros de São Paulo, a cidade tem 7,5 mil habitantes, oito igrejas, sete capelas que representam as estações da via sacra e apenas um padre, Ademir Longatti, obrigado a se desdobrar para oficiar as missas num sistema de rodízio.
Roteiro básico Entre os melhores programas de Tiradentes estão as caminhadas pelas ruas históricas, com lojas de artesanato, ateliês, antiquários e charmosos cafés. Destaque para a Matriz de Santo Antônio, um dos mais belos templos barrocos do Brasil. Construída de 1710 a 1810, é considerada a igreja mais rica do País. Seus altares foram revestidos com 482 quilos de ouro.
Na nave central da Matriz foram pintadas à mão várias passagens da Bíblia e, no altar-mor, um pagode chinês, feito por entalhadores portugueses vindos da cidade chinesa de Macau. No adro pode ser visto o relógio do sol, de 1785. Em seu interior existe ainda um belo órgão alemão de 1779, considerado um dos 15 mais importantes do mundo. Sua fachada foi a última projetada por Aleijadinho.
Há ainda a Igreja de Nossa Senhora das Mercês dos Pretos Crioulos. Erguida por escravos, exibe raríssimas pinturas de Manuel Vítor de Jesus. Já a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, é, na verdade, uma capela do início do século 18, construída em alvenaria e pedra, onde as pinturas representam os 15 mistérios do Rosário.
Na frente da Igreja São Francisco de Paula, no Morro de São Francisco, há um amplo gramado onde se ergue um cruzeiro, instalado em 1718. Dessa colina, tem-se uma excelente vista da cidade e da Serra São José.
Outros lugares que merecem visita são a antiga cadeia pública, reconstruída em 1835, depois de ser destruída parcialmente por um incêndio, seis anos antes. Ali fica o Museu de Arte Sacra da fundação Rodrigo de Mello Franco.
Na Casa do Padre Toledo, onde Tiradentes morou até os 9 anos, ocorreu a primeira reunião organizada dos conjurados, em outubro de 1788. A casa fica ao lado da Igreja de São João Evangelista e a passagem subterrânea que ligava os dois imóveis foi aterrada. Seu acervo conta com um quadro de Ataíde, do século 18, e pinturas com figuras da mitologia grega, mas nenhuma peça de Tiradentes.
Há ainda a Casa da Câmara, um casarão construído em 1717, onde se reunia o Senador da Câmara desde 1718. Foi aí que o pai do alferes, Domingos da Silva Santos, exerceu o cargo de vereador. O prédio servia para recepcionar os imperadores e as pessoas ilustres que visitavam a cidade.
Bom apetite Tiradentes se destaca ainda pelo turismo ecológico, com trilhas, cachoeiras e matas, e por sua gastronomia diferenciada, que pode ser encontrada nos aconchegantes e requintados restaurantes e bares. Os pratos, originados nos séculos 17 e 18, durante a corrida pelo ouro, fazem sucesso até hoje.
Feijão-de-tropeiro, frango ao molho pardo, frango com ora pro nóbis (erva selvagem da região) ou com quiabo, sempre acompanhados de torresmo, couve e angu estão entre as principais pedidas. Para sobremesa, doces caseiros casados com uma fatia de queijo branco. Quem preferir manter o nível de colesterol dentro dos limites pode optar por pratos na cozinha internacional.
SERVIÇO
- Informações turísticas: Secretaria de Cultura e Turismo - (32) 355-1212
- O que evitar: não suba a Serra São José sem um guia; não compre artesanato pelo primeiro preço; não entre de carro na cidade. Você perderá os detalhes dos becos; evite sapatos de salto. O chão irregular das ruas não perdoa; Evite se machucar. Só há um posto médico e não funciona bem.
- Programas interessantes: viajar de maria-fumaça até São João del Rei; tomar banho de cachoeira na serra; comer um frango com ora pro nobis, de preferência, no Viradas do Largo; vasculhar a Igreja Matriz de Santo Antônio. Vá com tempo para ver cade detalher; curtir o pôr-do-sol no Alto de São Francisco.
- Quando ir: costuma chover em dezembro, março e um pouquinho em agosto. No resto do ano faz tempo bom, com temperatura média de 21 graus.


