Viagem derradeira
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de abril de 2012
Geraldo Bessa <br> <br> TV Press 
Personagens complexos e épicos com envolvimento na política sempre permearam a cabeça de Lauro César Muniz. Com eles, o autor criou novelas antológicas como ''Escalada'', de 1975, e ''Roda de Fogo'', de 1986, ambas da Globo. Aos 74 anos, ele retoma suas obsessões e prepara-se para uma nova empreitada televisiva com ''Máscaras'', seu terceiro trabalho na Record, desde que voltou à emissora, em 2006. ''Gosto de trabalhar com liberdade. Este é um dos meus textos mais intricados'', garante.
Com andamento de ''thriller'', contexto misterioso e longe de qualquer maniqueísmo, a nova novela aborda a real identidade das pessoas. Em que não se sabe mais quando o mocinho é o bandido e vice-versa.
Com estreia prevista para terça-feira (10), a direção de dramaturgia da Record se apoia na identificação dos personagens com o público e na repercussão das outras novelas de Muniz para levar ''Máscaras'' aos 20 pontos de média de audiência. ''O investimento é alto e temos um bom elenco. Sei que a história parece complicada, mas acho importante surpreender e fazer o público pensar. As novelas que estão no ar dão a impressão de serem todas iguais. Queremos ousar'', ressalta Hiran Silveira, diretor de teledramaturgia.
Com cenas ambientadas no interior do Mato Grosso do Sul, na cidade de Dallas, no Texas, no Rio de Janeiro e a bordo de um transatlântico, ''Máscaras'' começou a ser gravada em janeiro deste ano, sob o comando de Ignácio Coqueiro.
O diretor comemora a terceira parceria com Muniz na Record - em 2006, a dupla realizou ''Cidadão Brasileiro'', e se reencontrou em ''Poder Paralelo'', de 2009 -, mas sabe das dificuldades de transpor para a tela as engenhosas sequências do texto do autor. ''Não temos cidade cenográfica. Fazemos tudo em estúdio e externas. Os primeiros dias de trabalho, no navio onde se passam as cenas iniciais, foram bem complicados. É o tipo de locação onde fica difícil ter domínio da produção'', admite o diretor, que gravou por 15 dias com uma equipe de 150 pessoas - entre elenco e produção - a bordo de um cruzeiro marítimo.
Sem a necessidade de construir uma cidade para ''Máscaras'', os investimentos foram concentrados nas tomadas externas, que representam de 30% a 40% de cada capítulo, e no desenvolvimento dos cenários nos estúdios do Recnov - complexo de teledramaturgia da Record, localizado na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Segundo a direção da emissora, a logística de tantas externas onerou a produção, cujo o valor final de cada capítulo é de R$ 600 mil.
A trama conta a história de Otávio, de Fernando Pavão, um homem que tem a esposa, Maria, de Miriam Freeland, e seu filho, o pequeno Tavinho, sequestrados por motivos desconhecidos. ''A base da história é o amor. Esse sentimento é só o início de uma aventura por um mundo secreto'', antecipa Miriam.
O desaparecimento acontece em um momento delicado, onde Maria sofre de depressão pós-parto e tem de encarar o passado com a volta de seu irmão, Martim, de Heitor Martinez, ao Brasil. ''Ele passou muitos anos nos Estados Unidos. Retorna ao país com problemas financeiros, mas esconde a ligação que tem com uma organização internacional'', explica Heitor.
Liderada por Big Blond, de Jonas Bloch, a organização defende interesses de políticos e empresários americanos e brasileiros, que têm planos ambiciosos no país. Ao descobrir o envolvimento de Martim com o grupo, Otávio acredita que o sequestro é apenas o ponto inicial de uma conspiração.
Na ânsia de reencontrar a mulher e o filho, o protagonista vai atrás de pistas sobre o paradeiro dos dois e acaba sendo perseguido pelo bando. Sem saída, Otávio forja sua morte e troca de identidade com o cunhado. Nessa jornada, usando a ''máscara'' de Martim, ele envereda pelo submundo do crime internacional e cruza com personagens indefinidos, como a destemida agente secreta Nameless, de Paloma Duarte. ''É tudo muito surpreendente. A cada capítulo que leio, descubro mais coisas sobre o Otávio'', conta Pavão.
Com mais de 20 novelas no currículo, ''Máscaras'' se torna representativa na carreira de Lauro César por se tratar de sua última novela no formato mais tradicional. O contrato do autor com a Record vai até 2014. No entanto, ele jura que agora vai se dedicar a escrever minisséries e trabalhos especiais. ''Já não tenho mais idade para escrever 200 capítulos por obra. Considero essa novela como um testamento, onde reúno tudo o que mais gosto e faço referências a toda a minha trajetória'', assume.


