Viagem das palavras
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segunda-feira, 06 de agosto de 2012
Nelson Sato <br> Reportagem Local 
Muitos estudiosos afirmam que o hábito da leitura começa na infância, estimulado muitas vezes dentro de casa por pais que contam histórias para os filhos.
De uns tempos para cá, a prática de narrar aventuras literárias pela tradição oral virou objeto de pesquisa e até de grandes eventos, como o ''Encontro de Contadores de Histórias'', cuja segunda edição começa hoje em Londrina com duração de duas semanas.
A programação reúne palestras, oficinas, contação de histórias e convidados locais e nacionais. Todas as atividades são gratuitas, exceto as oficinas. O evento ocupa vários espaços incluindo a Biblioteca Pública, Teatro Zaqueu de Melo, Museu Histórico, Sesc, Aterro do Lago Igapó, escolas, creches e asilo.
O Encontro tem o objetivo de mostrar a importância da contação de histórias para a formação de leitores, além de revelar técnicas que aprimorem a tarefa. ''Decidi criar o evento depois de constatar que é mais fácil iniciar uma criança à leitura do que transformar um adulto que não lê em leitor'', diz a idealizadora e coordenadora Cláudia Silva, que também é responsável pelo projeto ''Recado dos Livros''.
''Contar histórias é um ato lúdico, um momento de encantamento em que tocamos a imaginação do outro e desenvolvemos a afetividade ao reunir pais, tios, avôs e as crianças em torno de uma narrativa'', salienta. Ela explica que apesar do destaque dado ao público infantil na programação, ''o Encontro traz atividades dirigidas a todas as faixas etárias, como o espetáculo do londrinense Edgar de Abreu (dia 9) e o show do violeiro paulista Paulo Freire (dia 18)''.
O escritor, pesquisador e contador de histórias Giba Pedroza completa: ''Costumo brincar que nossa apresentação é para gente de zero a 200 anos'', diz, referindo-se ao espetáculo ''Are Amu Zev...Era Uma Vez, Nós Três'', que abre a programação hoje, às 20h, no Teatro Zaqueu de Melo, onde estará no palco ao lado dos narradores João Acaiabe e Paulo Federal, todos de São Paulo.
A montagem reúne três histórias entremeadas por poemas, contos, hai kais, trava-línguas, adivinhas rimadas e limeriques. O repertório traz textos de autores como Mário Quintana, Mariana Colassanti, Pedro Bandeira, Ignácio de Loyola Brandão, Eduardo Galeano, Umberto Eco, Regina Machado e Monica Feth.
''Conduzimos um ritual afetivo e familiar, rememorando o tempo dos contadores tradicionais ao valorizar a palavra como fio condutor e protagonista do espetáculo'', assinala Pedroza, que permanece até amanhã na cidade para ministrar uma oficina para pais e educadores na Biblioteca Pública Municipal.
Esse é o primeiro espetáculo concebido pelo trio, que trabalha junto há alguns anos revezando-se em palcos em participações variadas. ''Somos três gerações em cena, cada com um estilo próprio. O espetáculo tem o formato de teatro e é baseado em brincadeiras com as palavras, na exploração de versos tortos'', sublinha João Acaiabe, o mais experiente do trio, que ficou famoso atuando no programa ''Bambalalão'' da TV Cultura e posteriormente na segunda versão da série ''Sítio do Pica-Pau Amarelo'', exibida pela Rede Globo.
O 2º Encontro de Contadores de Histórias é viabilizado pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), com apoio da Midiograf, Faculdade Pitágoras, Biblioteca Viva Itinerante, Clac e Instituto Crias. A programação completa está disponível no site www.encontrodecontadores.blogspot.com.


