A exposição da Mostra da Gravuras sediada na Casa Vermelha reúne obras dos paranaenses Poty Lazzarotto e Guido Viaro, realizadas nas décadas de 40 e 50 caracterizando a entrada da modernidade no Paraná. As obras de Poty e de Viaro (no primeiro andar) dialogam com as gravuras de Oswaldo Goeldi (no segundo andar), considerado o mais importante gravador brasileiro daquela época.
Poty e Guido foram os principais ilustradores da Revista Joaquim, editada por Dalton Trevisan, de 1946 a 48, e era uma revista que se posicionava contra o conservadorismo paranaense, tradições provincianas locais, propondo uma atitude moderna, similar à que os modernista tiveram em São Paulo, na década de 20.
Essa modernidade, no Paraná, se deu em torno da Joaquim, e teve como representantes, nas artes plásticas, os dois gravadores. Algumas das gravuras da mostra ilustraram a revista. Outras, são da mesma época. Por sua vez, Goeldi representa a modernidade brasileira nas artes plásticas. Por isso, os três artistas estarem junto.
Além disso, a curadoria de Simone Landal, inspirou-se no poema de Carlos Drummond de Andrade ‘‘A Noite Moral’’, que se refere à ética absoluta que há na obra do Goeldi e que também está presente no trabalho dos dois paranaenses. ‘‘Ética no sentido de honestidade, de verdade, de compromisso com o trabalho, sem se render ao mercado. E noite, porque a obra dele tem um aspecto sombrio, melancólico, noturno mesmo’’, argumenta Simone.
Entre as obras do Goeldi expostas na Casa Vermelha estão a série de marítimas, de traços fortes relacionados a mar e peixes, algumas xilogravuras de traços urbanos e obras com luz artificial. As gravuras pertencem aos acervos da Biblioteca Nacional e Museu Nacional de Belas Artes, do Rio de Janeiro e o único desenho, o ‘‘Bêbado sonhador’’, é um empréstimo do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

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