O problema do tráfico de drogas é o calcanhar de Aquiles para os Estados Unidos. Por isso vários cineastas abordaram esse assunto, mas nenhum deles foi tão fundo na questão quanto o diretor Steven Soderbergh em ''Traffic'', vencedor de quatro Oscars, entre eles o de Melhor Direção e Ator Coadjuvante, para Benício Del Toro.
Quem já assistou a outros filmes de Soderbergh sabe que o cineasta tem um estilo muito peculiar para tratar determinados temas sempre privilegiando o lado humano dos personagens, procura dar vazão à sensibilidade, sem nunca força a barra. Em ''Traffic'' ele inova ao mostra a trajetória do tráfico de drogas como uma espécie de epidemia que não escolhe suas vítimas.
O diretor faz isso de forma didática, quase cartesiana, dividindo o filme em três histórias de vida que têm em comum o envolvimento com a droga. Para cada uma, Soderbergh escolheu um filtro de cor diferente: o amarelo para reforçar a aridez do deserto mexicano, ponto de partida do tráfico, que tem como protagonista o tira Javier Rodriguez (Del Toro); o azulado para mostrar a requintada vida de um juiz (Michael Doulglas) que tem sua vida colocada em xeque ao descobrir que a filha adolescente é vicida.
Para contar a vida da socialite Helena, interpretada por Catherine Zeta-Jones, que vê seu mundo ruir quando o marido é preso acusado de tráfico, o diretor usou cores claras e fortes combinando com o cidade de San Diego. Um dado curioso é que Soderbergh também foi responsável pela direção de fotografia do filme, mas para o nome dele não aparecer duas vezes nos créditos, ele optou pelo pseudônimo de Peter Andrews.
''Traffic'' foi todo filmado com a câmera na mão para passar a idéia de que a história estava acontecendo naquele momento, como uma reportagem de televisão. Esse recurso imprime ao longa uma sensação de realidade e não de uma história encenada. Lançamento da Europa. Duração: 147 minutos.


OUTROS LANÇAMENTOS

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[Retr-Foto:CD6 Y 17 {Grade:Cultura ;Pessoa: Filme ''Corrente do Bem'' ;Evento: ;Lugar: ;Chave:Coluna de lançamentos de Video e DVD ;Data:17.08.01 }]

Divulgação

Bons atores são desperdiçados num filme repleto de clichês

Corrente do Bem

O elenco reúne nomes de peso como Kevin Spacey, Helen Hunt e Haley Joel Osment (o garoto de ''O Sexto Sentido''), mas não consegue salvar ''Corrente do Bem'' do naufrágio. Dirigido por Mimi Leder (de ''Impacto Profundo''), o longa é uma enxurrada de clichês. Há praticamente de tudo do pior cinema dramático americano: o jovem com boas intenções que tem a mãe alcoólatra, o professor frustrado e outros personagens do gênero.
''Corrente do Bem'' parte de uma premissa interessante: um professor sugere a seus alunos a pensarem em algo que pudesse melhorar o mundo, tornando-o mais humano. O garoto Trevor McKinney decide levar a sério a proposta do professor de se fazer uma ''corrente do bem'', levando para dentro de casa um morador de rua (James Caviezel). É quando as coisas começam a se complicar e o filme vira um dramalhão no melhor estilo mexicano. Na verdade, o que falta em ''Corrente do Bem'' é o asteróide de ''Impacto Profundo'' para varrer da tela tanta idiotice. Lançamento da Warner. Duração: 123 minutos

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[Retr-Foto:CD6 Y 17 {Grade:Cultura ;Pessoa: Filme ''Amélia'' ;Evento: ;Lugar: ;Chave:Coluna de lançamentos de Video e DVD ;Data:17.08.01 }]


Reprodução

Filme é uma ficção inspirada na visita de Sarah Bernhardt ao Brasil

Amélia

Depois de um bom tempo sem filmar, a cineasta Ana Carolina resolveu voltar ao set com ''Amélia'' uma ficção livremente inspirada na visita da atriz francesa Sarah Bernahardt ao Brasil em 1905. A atriz que passa por crise financeira e existencial, é aconselhada por sua camareira Amélia, uma brasileira, a fazer uma turnê pela América Latina.
Mas a chegada da atriz ao Brasil é marcada por grandes reviravoltas, colocando Sarah em contato com uma realidade bem diferente. O filme mostra os contrastes entre cultura e estágios de civilização que marcam profundamente os personagens. O grande mérito de ''Amélia'' é revelar ao público um momento muito particular da história do Brasil, que é a passagem da grande estrela francesa Sarah Bernahardt pelo Rio de Janeiro. No filme, Sarah é interpretada pela atriz Beatrice Agenin, da França. Lançamento da Europa. Duração: 126 minutos.

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